sábado, 2 de janeiro de 2016

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - A “Jolie Rouge” da Juquira Candiru chora sangue, mas não arrefece

Sebastião Pinheiro*



"O período é de festas religiosas para muitos e passagem no registro do tempo para todos. Convida à reflexão, felicitações, perdão e, principalmente, esperança no futuro, mas entornou o caldo, chutei o balde. Não dá mais para aguentar, mesmo para um pacifista e equilibrado. Tudo tem limite, a violência está demais.

Toda manhã leio o UOL, e disciplinadamente aprecio os comentários nas matérias da F de SP, para sentir como andam as coisas pelo externar de opiniões. Não há adjetivo suficiente para o grau de intolerância –desfaçatez - ignorância estampados nos comentários, na grande maioria de “leitores” do meio de comunicação mais festejado do país.
 
Por que todo esse ódio? O que está acontecendo? Será a resposta instantânea, explosiva, sem discernimento ou reflexão da mídia eletrônica? Não sejam ingênuos, não pensem que as pessoas não sabem mais contar até dez. Tudo é muito bem calculado e os comentários permitem organizar a gestão social do rebanho: Público, Privado e outros, através de análises estatísticas simples com amostras estratificadas em universos seletivos no interesse do “poder” impondo interesses financeiros atendendo ao poder imperial e seus cônsules. Na periferia, antigamente havia a escassez e até ausência do Estado para o exercício da cidadania por todos.
 
Algo que hoje está tão central, que são poucos os Estados Nacionais que resistem, ainda por algum tempo, pois tudo é alcançado não mais por políticas públicas e educação, mas agora somente permitido através do comércio no mercado e unicamente para consumo.

Para esse poder é melhor alcançar toda e qualquer transformação por meio de suborno, prostituição, corrupção do que através de educação, saneamento, infraestrutura, pois toda lei, norma, regra é um instrumento educacional que esbarra em resistência étnica, cultural, idiossincrática e religiosa, que retardam os objetivos desejados e premeditados pelo poder que deseja ser único e imperial. Eis alguns exemplos:

1) Na primeira vez que ouvi falar do vírus Zika na TV nacional há aproximadamente um ano, a autoridade sanitária federal dizia que não era para preocupar-se que eram manchinhas na pele e uma coceirinha que em 15 dias desapareciam. Ninguém cobra do canalha inconsequente e incompetente que deu um sinal de tranquilidade, quando já dois anos antes na Polinésia Francesa uma deputada anunciava que mais de 40 mil pessoas tinham sido infectadas com diversas e severas sequelas. Hoje há um estranho ufanismo com a “descoberta” da microcefalia, mas não se tempera o seu significado macabro. Em 1900, Oswaldo Cruz desinfetou a cidade do Rio de Janeiro e exterminou a Febre Amarela urbana e o mosquito da dengue sem as tecnologias que dispomos hoje, pela ação sanitarista (franco germânica). Há 40 anos um estudante de agronomia em Seropédica a 42 Km do Rio de Janeiro identificou larvas do mosquito da dengue e levou para a Universidade Rural.
 
O que foi feito por parte do Estado?
 
O “Fumacê” passou a ser cantado em prosa, verso e troça sem parar a expansão do mosquito ligada as más condições de saneamento básico. É que Oswaldo Cruz eliminou as causas através de saneamento e o fumacê combate os efeitos. Verbi gratia seu contencioso com a elite do Colégio Militar do Realengo, que não era somente pela vacinação. Hoje ele é endêmico assim como a Febre Amarela voltou a urbanizar-se em zona de turismo internacional, pois o negócio é consumir veneno e não privilegiar o saneamento básico e estratégico. Há denuncias que o recurso para comprar o veneno de controle foi desviado para campanha política. Porta arrombada, o “Plim Plim” passou a recomendar que o mosquito não pode nascer, como se o crime fosse da natureza e não da ação humana inepta. Estranho, onde chove a cada quinze dias é possível ter eficiência que uma endemia requer, sem a educação de um padrão industrial ou pós-industrial? Por que será que a escola do Dr. Oswaldo não vingou no Brasil, América Latina e Africa?

2) A merenda escolar é bandeira de salvação da infância na escola (pública) e tem gente altruísta com alteridade intelectual, que afirma ser a solução social, pois é a única refeição de muitas crianças. Desvirtuando que escola é lugar de aprender e não de comer, logo algo está errado antes da escola; “Pública” está entre parênteses, pois o significado de público é para todos, o que não acontece na grande maioria dos países e menos ainda no nosso, onde os governantes pensam que estão concedendo alforria e não um direito pétreo cidadão. O duro é escutar a idiotice que diz estamos a cada dia melhor jogando o a solução para as calendas gregas. A questão é clara, um famélico não aprende, mas qual é o aprendizado de alguém depois de comer a única refeição? Isso é mais uma tortura fisiológica que docência; Nesse contexto, a propaganda de merenda escolar orgânica é indecente.

3) Quanto à saúde, o pobre SUS está transformado em distribuição de medicamentos (contrariando às empresas de comunicação com interesses nas participações e previdência privada) e não há fomento à saúde através do saneamento, nutrição e prevenção total. Todos hospitais foram transformados em Pronto Socorre para onde acorre levas de desesperados por vontade própria, sem os protocolos de triagem hierárquicos de atendimento eficiente como em todos os países onde o Estado existia, e agora resiste ao comercio de saúde. O termo “cirurgia eletiva” permite entender o desmazelo e negócio que endivida os sistemas previdenciários. Há 50 anos somos o maior consumidor de cesarianas do mundo, embora sejamos esculturalmente reconhecidos pelos “ilíacos e sacro” (glúteos). Sim minha gente somos pentaicosacampeão nos negócios das cesarianas;

4) Milhões de dólares são gastos por agentes de propaganda política oficial em Campanhas Permanentes contra agrotóxicos/transgênicos, enquanto eles batem todos os recordes mundiais de consumo sem que possa haver fiscalização, controle e educação para o agricultor, custando o tratamento das intoxicações uma parcela significativa nos gastos em saúde pública, pois é lucrativo para uma burocracia que se locupleta através de coimas e disfarça a inoperância e subjugo aos interesses corporativos internacionais.

Estes quatro exemplos se consolidam em um só: VIOLENCIA IDEOLÓGICA. Ela, hoje é o vetor principal do poder, mas nunca apresentada como tal e quando ocorre sua clarividência, muitas vezes atinge o alvo errado. O exemplo pode parecer hilário, mas é trágico sem ser macabro. Em 1959 os revolucionários cubanos proibiram o uso do saxofone acreditando ser ele um símbolo norte-americano, mas esse instrumento musical do século XVIII é de origem belga, embora muito executado nos ritmos ianques nos Cabarés e Cassinos da ilha de lavagem de dinheiro.

A violência de sua proibição sequer abriu uma fresta nas reflexões e comportamentos revolucionárias durante um bom tempo pela falta de ambiente para contradizer a ignorância e ódio. É dramático quando o passado e memória não ensinam, o que é mais facilmente notado nas periferias, onde o ódio é mais explosivo e mortal pela carência de escola e ambiente social. No Brasil algo ocorreu com a capoeira, principalmente na Bahia e Rio de Janeiro.

Fico chocado quando amigos chamam minhas observações de sarcásticas ou irônicas, pois o que para eles é violência para mim fica em plano inferior. Ao mesmo tempo em que o quem eu considero violência eles ignoram. É necessário desmistificar este engano dissecando a violência como vetor, meio, direção, sentido e fim do que o jornalista (filósofo) mexicano Javier Esteinou Madrid chamou de “Estado Híbrido do Século XXI” e nós nos atrevemos a antever como uma estação à Eugenia, preparatória do Estado Totalitário Mundial.

O francês Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina em 1912 e bolsista da Fundação Rockefeller no último capítulo de seu livro: “O homem este desconhecido” de 1935 aborda a necessidade da Eugenia. Ela foi amplamente aplicada como política social de saúde pública na Europa, América do Norte e teve até mesmo seguidores na América Latina e Brasil no início do Século 20, mas o Estado Nacional atrapalhava seu êxito. Agora, o Estado Transitório permite perceber o amadurecimento do mercado e por si só tem condições de alcançar os objetivos de forma lucrativa.

- Há 20 anos os agricultores franceses (paysans = camponeses) foram às cidades, estradas e enfrentamentos contra o Agrobusiness (PAC) por direitos, antevendo as ameaças eugenistas contra seu biopoder;

- Nos EUA nos últimos 10 anos mais afrodescendentes foram assassinados pela polícia norte-americana que nas décadas anteriores. Logo é violência estrutural, sistêmica.

- A roubalheira de dinheiro público e privado (FIFA) antes permitida pela necessidade hegemônica na bilateralidade, agora é reprimida pela violência ideológica do sistema financeiro imperial;

- A violência cretina de criminosos “pés de chinelo” ou “paramilitares” e terroristas, é apresentada na TV com cenas escatológicas, como ação religiosa, insultando nossa inteligência. Da mesma forma as das Cruzadas dos séculos IX a XI não são apresentados como uma blasfêmia ou o sistema de torturas da Igreja (Inquisição) não fosse uma obra religiosa. O poder exerce o monopólio da violência ideológica e a distribui na educação como propagandda;

- A cena na TV do fecho à caçada ao ex-aliado e terrorista Bin Laden acompanhada desde a Casa Branca, comemorado com vivas e aplausos de forma macabra e insana. Ou o ataque de “drones” a uma residência e morte 30 pessoas para matar um revoltado criminoso inglês, até o apelido dado tem conotação política (Jihad John). É primário que o Estado e Governo não permitem comportamento pessoal pelo respeito à todos. Toda democracia se divide em três poderes e um deles não pode usar de violência para substituir os outros, pois isso é ditadura. O atentado em Paris foi realizado pelos mesmos rebeldes psicopatas franceses e belgas. Uma resposta esperada que permite e respalda o uso de mais violência para a construção do amanhã eugenista totalitário;

- O Estado de Israel indica como seu embaixador um eugenista (organizador da expulsão e colonização de propriedades palestinas) e os meios de comunicação não sabem ou não podem ler a agressão violenta, que expõe a inépcia governamental sem que a cidadania tome conhecimento e participe da discussão, embora os lemas sejam “Pátria Educadora” e “Brasil de Todos”. Somos um dos países onde as duas comunidades convivem, compartilham e se respeitam lado a lado sem qualquer problema integrados à nação. Isso para a ideologia imperial é subversão: Não pode haver paz ou concórdia, usa-se todo tipo de violência para criar ódio e negócios rentáveis.

Permitam-me a comparação da indicação do embaixador com a transformação pelo exército japonês na Coreia entre 1910 e 1945 de 200 mil mulheres em prostitutas. O reconhecimento do crime, o pagamento pecuniário não é indulgencia que abole a violência e culpa.

Os quatro exemplos anteriores e as minhas violências dissecadas trazem as mesmas cores dos cavalos apocalípticos e seu significado conforme o quadro de V. Vanestsov (1887) (foto) pelo que a “Jolie Rouge” da Juquira Candiru chora sangue, mas não arrefece no combate ideológico: Feliz Ano Novo."



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*Engenheiro Agrônomo e Florestal, Ambientalista e Escritor

“A Igreja sempre fez política, porém, uma política de direita”

... e o que se desvia disso, é traidor, perseguido, excomungado ou banido....

.... assim como ocorre nas FFAA e as demais instituições que reproduzem seus padrões, guardadas as proporções de discursos e métodos. No caso dos governos "totalitaristas de esquerda" - antes que se objete - reparo que isto é uma contradição, pois estes deixam de ser de esquerda, desde que totalitaristas se tornam. Mas, ressalve-se, os neoliberais, de farda, batina, trator ou microfone, também são experts em atiçar o medo social, por meio da confusão, intencional, entre democratização de bens materiais e simbólicos com "ameaça à propriedade e à liberdade".
 
 

Leonardo Boff, teólogo e escritor, fala sobre o perdão do papa Francisco aos que, como ele, seguem a Teologia da Libertação

BEATRIZ BORGES São Paulo 8 AGO 2014 - 18:59 BRT 

O movimento católico da Teologia da Libertação, que defende uma Igreja para os pobres e ideais de justiça social, nunca foi bem visto pela Santa Sede. Vários sacerdotes foram inabilitados por seguir essa doutrina de dimensão sociopolítica, principalmente na América Latina durante os anos 70. O papa Francisco, para tentar desfazer este mal-estar histórico, deu o primeiro passo. Nesta semana, retirou a punição e solicitou a reintegração do sacerdote nicaraguense Miguel d’Escoto, de 81 anos, suspenso em 1985 por seu envolvimento com a Frente Sandinista, movimento político de seu país, de viés socialista. 

Texto completo no El País

 

domingo, 20 de dezembro de 2015

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - SOBRE FALHAS PREMEDITADAS E LOUCURAS COM LÓGICA

Sebastião Pinheiro*

Desculpem minha euforia. Acordou-se na COP 21 em Paris tirar o Carbono da Atmosfera e colocá-lo na Natureza e Solo para evitar o Efeito Estufa e Mudança Climática, mas muitos políticos brasileiros são de opinião contrária, pois vivem a realidade do tango Cambalache, [letra ao final]. 

Em Agosto de 1961, ao ter suspensas as aulas no segundo ano do ginasial fui assistir, no Fórum de São Gonçalo/RJ (foto), o juri de um jovem afrodescendente de 21 anos que havia matado um desafeto a tiros.


O advogado de defesa, se não era o Roberto Jefferson, era parecidíssimo, alegou legítima defesa por ação putativa, pois o morto fizera o gesto brusco de tirar um algo do bolso traseiro da calça e morrera com um rosário nas mãos.

Imaginei a cena bem carioca: A tragédia a partir da galhofa, pois ao assassino, que era evangélico fora posto o apelido de Exu. A morte ocorreu por ódio (bulling), não medo ou religião, e o vulgo "Exu" foi condenado a vinte anos de prisão; Dias depois Jânio Quadros renunciou e cada vez mais o "jeitinho brasileiro", irreverente foi transformado em cambalache argentino.
 
21 anos depois, em uma das mais antigas e belas cidade do Ocidente, Trier, capital de verão do Império Romano, na Alemanha senti-me um snobe (sin nobilitas) ao passar ali a estação. Foi a única cidade naquele país onde encontrei alemães relaxados e felizes (fora da arena), não sei se é pelo Rio Mosel, presença da Fronteira de Luxemburgo ou a relíquia de Matias um dos apóstolos de Cristo. Contudo, ali assisti um segundo julgamento transmitido pela TV: A moção de desconfiança ao Primeiro Ministro Helmut Schmidt, da SPD (foto) através da ruptura na coalização com os liberais (FDP) de Genscher, um grande especialista em terrorismo internacional.



O "bode expiatório" da moção era a autorização de estacionamento de 102 misseis atômicos Pershing-2 no país militarmente ocupado, na verdade a visita que Schmidt fizera à outra parte da Alemanha injuriou os vencedores. Na noite anterior nas proximidades um cidadão revoltado arremetera seu Mercedes Benz contra um caminhão militar que transportava um dos misseis atômicos e vazou o combustível. Isso obrigou a evacuar mais de 25 mil pessoas por questões de inteligência, não de segurança.
 
O mais perigoso guerrilheiro do RAF Baader-Meinhof, Christian Klaar foi preso e mostrado ao povo, embora somente os deputados votassem. A sessão no parlamento durou o normal e eu sem ser torcedor senti que o que assistira era mais que um julgamento, era um golpe, pois já assistira dezenas de quarteladas brasileiro argentinas e ainda não sabia o que era uma democracia financeira. Ainda guardo as moedas vigentes depois de 1945 até a criação do Euro. Ela diz - Bank Deutscher Länder, 1945.
 
A União Europeia e Estados Unidos, infelizmente não são espelhos, nem reflexo para o povo da América Latina. Atônito, como Jonas olhando aos céus acompanho a disputa: Impeachment para cá e Golpe para lá, pois aqui o poder ainda não é um fluxo de energia absoluta que não admite indução, manipulação ou condução. Ele é um meio tanto para os políticos da situação como da oposição para tráfico, corrupção e prostituição ou como canta o tango, puro cambalache.

É por isso que estamos extasiados com os lampejos de energia absoluta emanada da Operação Lava à Jato, que não percebemos pela carência de educação cívica, comportamento e idiossincrasia de torcedores ou cartolas e não como cidadãos banhados pelo verdadeiro poder político de sua irradiação.
 
Envergonhado e pudico, mas sem arrependimentos, ouso esta chanson de geste, ou payada caipira: “Quem pariu Mateus que o embale” é a forma popular errônea do ditado português “Quem pariu os maus teus que o balance”.
Depois de vinte anos de luta, tardiamente conseguimos a lei nacional dos agrotóxicos 7802/89 que jamais foi fiscalizada, pelo “poder” das empresas e o esdrúxulo, hoje, é a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária vir a público dizer que 1 em cada 50 casos de intoxicações por agrotóxicos é notificado. Recentemente um agrônomo foi responsabilizado pelo Ministério Público do RS por envenenar 15 pessoas com 2,4-D, onde o Receituário Agronômico existe há trinta anos por legislação estadual e nacional.
 
O passado não perdoa: Conquistamos a Lei de Agrotóxicos, então surgiu a tramitação da Lei de Biossegurança projeto do senador, depois vice-presidente Marco Maciel. Já havíamos participado na tradução do livro “Biotecnologia Muito Além da Revolução Verde” de Henk Hobbelink, em 1987 e acompanhávamos a mudança da Ordem Internacional do GATT para OMC e entendemos que estavam agindo de forma diferente aos agrotóxicos, se antecipando à discussão popular não para exercício cívico, mas para seu consumo, pois assinávamos “The Gene Exchange”, da União dos Cientistas Conscientes. Desconfiados, não participamos nas discussões do projeto, mas acompanhamos par e passo toda a tramitação em nível latino americano e terceiro-mundista, pois era mais uma lei para dotar de poder econômico os interesses segmentários da biotecnologia e não a Biossegurança da Sociedade.
 
Aprovada como Lei de Biossegurança Nº 8.974/95, vimos que ela nasceu mutilada para preservar interesses, sendo nesse momento vetada a criação da CTNBIO. Ignoramos, pois estávamos avante, pois já em 1991 havíamos conseguido aprovar a Lei Estadual dos Transgênicos Nº 9.543/91. A lei federal era nada mais que um “pitbull banguela” para o povo.

A CTNBIO foi criada somente seis meses depois pelo Decreto 1.520/95, nesse interregno, o mandatário FHC visitou os EUA e a Argentina de Menem e estranha e clandestinamente começou o contrabando de sementes para sua multiplicação pelos agricultores com o beneplácito das autoridades federais e estaduais corrompendo o Protocolo de Cartagena, forma de impor o poder corporativo acima do estado e sociedade.
 
Embora alertado foi apresentado por vaidade na Assembleia Legislativa (RS) o Projeto de Lei 16/99 com dois artigos e apenas seis linhas para substituir uma lei estadual pioneira que já existia há nove anos. Emergencialmente redigimos o Decreto 39.314/99, regulamento a mesma (que teve modificações de interesse partidário para eleger um candidato a deputado federal nas eleições seguintes) que no primeiro dia de governo havia declarado “Território Livre de Transgênicos”.

Três anos depois toda a safra de soja era feita com sementes “Maradona” nascida no estado, repito com beneplácito do governo que apesar das firulas, escaramuças e jogo para a torcida de órgãos e autoridades do executivo estadual e nacional e seus judiciários. Por consciência política deixamos de externar opiniões sobre o assunto na forma correta do ditado português deixando-os balançar os maus teus.


O tempo passou, hoje há a estratégia militante de usar entidades para seu proselitismo. Recentemente queriam “festejar” os 10 anos da Lei de Biossegurança, quando foram avisados que ela já tinha 20/30 anos. Desconheciam que ela já fora modificada duas vezes, primeiro no Regulamento 4724/03, e depois pela lei 11.105/05 para atender a mesmas ordens heteronômicas em nada diferente do governo anterior.

Um grupo de militantes na CTNBIO, com sua presença (minoritária) convalida os interesses das grandes corporações (ABIA) e sabem não exercer poder decisório, mas constroem oposição partidária nada “ingênua” para o “respeitável público”. Nem creio que eles saibam, mas honesta foi a engenheira agrônoma Marilena Lazzarini representante dos consumidores (IDEC) na CTNBIO original que se demitiu já na segunda reunião ao perceber que essa seria sua função (convalidar interesses). Hoje, percebemos o novo comportamento partidário na busca da credibilidade exangue ou perdida...
 
Em 1995, no final das reuniões da Rodada Uruguai chegaram oito representantes da Monsanto na delegação norte-americana nomeados por Bill Felattio Clinton para o fechamento dos beneplácitos à engenharia genética e biotecnologia de valor incalculável perante a economia e sociedade daquele país. Sepultava-se o lema: “Há Fome no Mundo”, que doutrinara religiosamente os últimos 50 anos, substituído por “Há pobreza no mundo”.
 
Sobre transgênicos, internamente, já em 1996 a FDA antecipava a existência de riscos & problemas fisiológicos com os transgênicos para saúde, natureza, agricultura e alimentos, mas os interesses imperiais eram superiores.
 
Na CTNBIO só se prioriza a biossegurança do evento biológico e proteção ao “criador” e “criatura”, coisa que o setor especializado do Ministério da Indústria e Comércio faz através da UPOV, mas a função da CTNBIO extrapola a lei e garante com “ciência e tecnologia” o ideário das corporações, pois ideologicamente ela está acima das outras pastas, que por si só já são arcaicos cartórios e feudos burocráticos e políticos sob qualquer tipo de governo.
 
Grupos partidários começaram a monopolizar a questão de forma maniqueísta com fins egoístas e eleitorais e transformaram o país no maior consumidor de agrotóxicos, sementes transgênicas e discussão sobre agroecologia, sem ação efetiva. Após o livro “Transgênicos: O fim do Genesis”, em 2000 resolvemos atuar como submarino e somente observar, torpedo e submersão.
 
A metade da área de cultivo do mundo está infestada por ervas adventícias mutantes resistentes ao Glyphosate que nascem nas terras do agricultor e podem a qualquer momento serem reclamadas como propriedade da empresa, a exemplo do que ocorreu com o canadense Percy Schmeisser condenado por ter suas sementes contaminadas por genes patenteados. Por outro lado a solução adotada foi o uso do herbicida Paraquat que elevará o problema em poucos anos ao quadrado e depois ao cubo.
 
O ditado, agora é argentino e guasca: “ Éramos muchos y parió mi abuela”. Vieram as alterações ambientais na agricultura com a alteração no Código Florestal. Do ponto de vista cidadão é involução ética e moral do mesmo interesse anterior. Os problemas de solo, água, vegetação, clima, agrotóxicos estão mais agudos e catastróficos?

Os desastres de Petrópolis RJ; Itajaí em SC, Restinga Seca, Agudo ou de São Lourenço do Sul e Angra dos Reis, não mostram suas razões originais, nem interessa que se fale diques (“ataques”) para armazenar água e barragens caseiras criando diques em rosário e sua ruptura catastrófica nas bacias sem retenção e aludes de barro (caudal sólido) que arrasta pontes... para respaldar a ausência de fiscalização do governo que ignora que esta lei atinge diretamente a segurança das cidades e hidrologia nacional (Este trecho está no livro Saúde no Solo versus Agronegócios – BIOPODER CAMPONES – e já estava na gráfica quando ocorreu o “crônica hidrológica” da IBP Billiton - VALE DO RIO DOCE- SAMARCO em Mariana/MG).
 
Discute-se a APP na margem são 10 ou 15 metros, mas como se mede a largura de um arroio ou rio? O que é linha de ribeira? Qual rio brasileiro tem o regime hídrico com as crescidas normais e extraordinárias calculadas nos últimos vinte anos. Por favor, geógrafos, me ajudem. Eu só posso dizer que a cada dez safras perdemos três por clima e cinco não têm preço compensador. Será que os serviços ambientais, selos e certificados da WWF logo estarão se impondo diretamente, através da Ajuda Técnica Internacional ou franquias?
 
O que me espanta é que esta mesma discussão florestal que ocorre aqui é simultânea à que ocorre na Argentina, Chile, México e Nicarágua, será isso a evolução do AMI ou a passagem de GTZ a GIZ? Passo a entender que o circo do AMI foi um laboratório onde recolheram argumentos para ser usado como munição contra os Estados Nacionais e suas sociedades: “Inteligência” é coisa séria.
Hoje se fala em soja sustentável inclusive na Amazônia e Caatinga, já que o Cerrado nem está na constituição... No Sul, não pode plantar uva e laranja, mas com os serviços e participações pode soja, gado rastreado por satélite, eucalipto e tudo mais até na Amazônia, através da lavagem verde.
 
Voltemos ao problema florestal. Não participamos de induções ou falsa polêmica nos interessam encontrar a quinta pata do gato. - A OMC está ludibriando ruralistas eliminando a intromissão pública corrupta e incompetente na propriedade contida nos código de 34 e 65, para posteriormente impor a adoção de serviços (uso de matéria orgânica certificada, TMCC- Procter Gamble Co.) na restauração ambiental compulsória? – Minha gente, o Estado Mundial Totalitário, não é a “viúva” brasileira e não admite circo nem ciclo ou seja nenhum tipo de cambalache.
 
De outro lado, o MST reclama do “pousio sem restrição” de tempo e de técnica, eliminando o conceito de terra improdutiva em 40 milhões de Hectares.
 
Além disso, os ruralistas fragilizam o Cadastro Ambiental Rural, de forma que a população não tenha acesso aos dados, escondendo todos aqueles que cometem crimes ambientais e ferindo o princípio da transparência governamental para a sociedade. A OCDE e suas empresas querem Reforma Agrária? Vejam a mudança do artigo 27 da Constituição mexicana para ingressar ao NAFTA e a reconcentração da propriedade naquele país.
 
Vale a pena repetir: Em 1993 o livro “O solo e qualidade da água: uma agenda para a agricultura” da Câmara de Agricultura do Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA embasou a Farm Bill de 1994, assinada por F. Clinton, que mudou o sagrado nome do Serviço de Conservação do Solo dos EUA para Natural Resources for Conservation, onde água, clima e biodiversidade são as prioridades. Isto fez que o país passasse a ser o segundo consumidor de agrotóxicos; Na Europa só se fala em “Saúde do Solo”. Nós palramos “qualidade do solo” com o uso adequado e permanente de venenos; sustentabilidade com eucalipto ou gado rastreado e revogamos leis para atender única e exclusivamente, um mercado estratificado no Estado Mundial Totalitário, induzido pelo GIZ, WWF... O aparente novo código e leis não serão aplicados, pois a prioridade não é cidadania e sim Mercado (e Eugenia).
 
O governo recebeu a ordem outorgar a água e não se discutiu que isso podia ser feito com o plantio de árvores nas áreas de preservação permanente ou quebra-ventos. Logo virá a ordem de fixar carbono ao solo e isso será feito através da compra de serviços de biotecnologia com o uso de compostos (metagenômica) e uso de herbicidas e não com o incremento do Carbono através de adubação verde sem o uso de herbicidas como já é na Austrália, Nova Zelândia, EUA e Canadá.
 
Esta chanson de geste, payada caipira não termina aqui. Aproveitando o lampejo de energia absoluta da Operação Lava à Jato. Não estranhei quando a operação que prendeu vários caciques iamém arrendatários e meieiros de terras para garimpagem de diamantes ilegais que permitiam a lavagem de dinheiro público do cambalache.
 
O desafio é que estudem o porquê da Expedição Roosevelt em 1913-1914 na região do Rio da Dúvida que mudou de nome (Rio Roosevelt) (foto) e entendam o filme “The massacre at Parallel 11” (“O massacre dos Cinta Largas”), em 1963.

 
O que levaria o ex-presidente Theodore Roosevelt, pai do presidente Franklin D. Roosevelt, quase perder a vida em um lugar tão remoto. Houve uma segunda expedição em 1919 e não foi bem recebida pelos nativos, por quê? Diamantes rosados? O aventureiro anglo-norte-americano George Miller Dyot tentou uma expedição em 1927 via aérea na área que se afirma ser a maior jazida de diamantes do mundo. O massacre dos Cinta Largas nos anos 50 foi organizado por um seringalista peruano, onde Miller Dyot tinha uma empresa aérea. Já o de 1963 foi organizado pelo seringalista Antônio Junqueira e o país foi acusado pela primeira vez de genocídio internacionalmente.
 
Cabe a pergunta: As mesmas escaramuças indígenas de 2004 visavam o mesmo objetivo? Talvez ignorem o diamante rosado de 30 milhões de dólares contrabandeado desde as terras dos infelizes iamém (cintas largas) vendido em Hong Kong. Lembram o funcionário do DNPM em 2004 que traficava certificados para esquentar diamantes ilegais e lavagem de dinheiro público, saiu nos jornais...
 
Na Rondônia que crescia 17% ao ano nos anos 80 e se tirava ouro do Madeira em toneladas escutei a conversa que não se fechava negócio em Bruxelas, Amsterdam, Nova York, Ida-Oberstein e São Paulo sem que um garimpeiro em Porto Velho não dissesse o que tinha em mãos. Não é diferente do escândalo do Paládio vendido à França para fins militares e que os garimpeiros de Serra Pelada, seus proprietários jamais virão um centavo e todo ele virou cambalache...
Se o lampejo não for fugaz e passageiro, podemos esperar peixes e moluscos graúdos nas redes da Lava à Jato. Dizem que fará os valores em tela nos escândalos nacionais serem chamados de óbulo (esmola), como o fez nas denúncias Roberto Jefferson na CPI dos Correios, que o levou, bem acompanhado à prisão.
 
Pobre jovem evangélico “Exu” deve ter purgado quase toda a vida na cadeia, por não criar rãs no Pará, nem criar gado em Alagoas ou vender decretos & similares. Ele existiu somente para os seus familiares e pequeno círculo, já os políticos nacionais são honoráveis homens públicos que usam um avião público para ir a uma clinica implantar cabelos. Enquanto, um dos maiores da Alemanha Herbert Ernst Karl Frahm, que teve sua cidadania cassada por Hitler (Gunnar Gaasland ou Wlly Brandt) é respeitado entre todos os políticos, religiosos e educadores deste planeta.

 
Não seja pessimista, nem cínico, com um bandoneon, piano, violino e rabeca cantemos o tango, pois temos todo o tempo do mundo e chegaremos lá. FELIZ NATAL.
Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé. En el quinientos seis y en el dos mil, también.
Que siempre ha habido chorros, maquiavelos y estafaos, contentos y amargaos, barones y dublés.
Pero que el siglo veinte es un despliegue de maldá insolente, ya no hay quien lo niegue. Vivimos revolcaos en un merenguey en el mismo lodo todos manoseados. Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor, ignorante, sabio o chorro, generoso o estafador... ¡Todo es igual! ¡Nada es mejor! Lo mismo un burro ue un gran profesor. No hay aplazaos ni escalafón, los ignorantes nos han igualao. Si uno vive en la impostura y otro roba en su ambición, da lo mismo que sea cura, colchonero, Rey de Bastos, caradura o polizón. ¡Qué falta de respeto, qué atropello a la razón! Cualquiera es un señor, cualquiera es un ladrón...
 
Mezclao con Stravisky va Don Bosco y La Mignon, Don Chicho y Napoleón, Carnera y San Martín... Igual que en la vidriera irrespetuosa de los cambalaches se ha mezclao la vida, y herida por un sable sin remache ves llorar la Biblia junto a un calefón. Siglo veinte, cambalache problemático y febril... El que no llora no mama y el que no afana es un gil. ¡Dale, nomás...! ¡Dale, que va...! ¡Que allá en el Horno nos vamo’a encontrar... No pienses más; sentate a un lao, que ha nadie importa si naciste honrao... Es lo mismo el que labura noche y día como un buey, que el que vive de los otros, que el que mata, que el que cura, o está fuera de la ley...
 
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*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor

SOBRE AS FARPAS DO ARAME DO ESTADO

A polícia militarizada não precisa de movimentos contestatórios para se desmoralizar; ela depõe contra sí na medida de sua própria impotência de conviver com a energia plural da cidadania, porque, no fundo, nos moldes que é concebida e orientada, ela existe para a proteção de uma classe, não de um Povo - independente do quanto de humanidade que exista por dentro da farda (e há muita) - com todas as distâncias entre peões e reis nesse tabuleiro. Para isso, é apoiada por uma rede de fontes corporativas, racionais ou não, que constrói o discurso que legitima seus desmandos, sempre em nome de uma certa ordem. Esta voz reacionária, que é o mantra dos que querem a liberdade apenas para os consumidores, se alimenta também no populismo e no sensacionalismo que cultiva, férteis onde o Estado só chega como chumbo, e as religiões domesticadoras, ao lado do crime, se ocupam de "salvar". Mas, por uma questão de sobrevivência, esse mesmo discurso, que criminaliza os pobres e os movimentos sociais, pretende reivindicar também, junto ao poder da classe que representa, uma certa proteção seletiva de seus próprios produtores de bens simbólicos. Mas aí, em geral, é tarde; porque terra é terra e aço é aço.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Se não eles, quem?


 
PELOS CINCO JOVENS CARIOCAS EXECUTADOS PELA POLÍCIA, PELOS 43 MEXICANOS, PELAS COMUNIDADES DAS ESCOLAS ITINERANTES DO MST, PELOS MILHARES PAULISTAS E POR TODOS OS OUTROS JOVENS QUE TEIMAM EM SONHAR POR DIAS MELHORES PELAS AMÉRICAS e pelo Mundo... minha homenagem, com essa lembrança da memorável luta dos estudantes argentinos, que tornou-se filme, sobre um período que os ouvidos do Estado também se fechava, quando a escuridão da estupidez, fracassadamente, tentava apagar a primavera, machucando ou cortando suas flores.

Provocações de TIÃO - A indignação dos estudantes na América e outras invisibilidades e relações pertinentes pelas Américas


Sebastião Pinheiro*


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Os três casos postado pelo amigo Ronaldo embora trágicos, são a ponta do "iceberg", pois o tema da infância é bem mais complexo: Não aborda as crianças soldados na África (responsabilidade maior dos países industriais); nem as soldados do tráfico de drogas na América Latina ou a prostituição infantil (pedofilia) em todos os continentes, que mutilam valores éticos e morais delas.

O filme sueco "Minha vida de cachorro" (Mitt liv som hund, 1985) é um libelo pelo respeito à infância com qualidade pelo Estado, mas deficiente, principalmente no tocante ao amor e espírito. Qualquer criança de favelas e vilas miséria, ao vê-lo, sentiriam vergonha de sua sina e nacionalidade.

O dramático nos exemplos postados é que nos três casos as crianças possuíam valores éticos e morais. Os argentinos eram alunos secundaristas (11 a 16 anos) do Colégio Nacional padrão de educação da Universidade Nacional de La Plata, elite estudantil em um país republicano em sua essência.

Eles estavam reivindicando a manutenção do desconto estudantil na passagem de ônibus municipal e fizeram uma passeata e seu cântico "Tomála vos, pasámela" era uma paródia à Copa do Mundo FIFA do ano seguinte. Das várias dezenas, somente um deles conseguiu sobreviver à tortura, inanição, doença e simulacro de fuzilamentos na prisão na última ditadura Argentina de Videla, Massera e outros. Contudo o responsável maior foi o Secretario de Estado Henry Kissinger que deu o sinal verde para o massacre infantil, sem o qual, não ocorreria.

Os 43 jovens mexicanos do curso superior de Magistério Rural de Ayotiznapa são uma elite muita parecida à anterior, e seriam os futuros professores dos alunos das áreas rurais mexicanas, uma das mas complexas do mundo pela diversidade étnica, cultural e social. Foram mortos por milicias de narcotraficantes e agentes policiais corruptos ligados ao Prefeito que desejava que sua mulher fosse sua substituta no cargo eletivo pelo impedimento legal.

O pretexto para a chacina e desaparecimento dos jovens foi o abuso da ordem nacional de submissão à desmontagem dos direitos à educação, uma conquista constitucional e revolucionária mexicana.

O terceiro exemplo é o nosso, onde jovens humildes de comunidades carentes, geralmente afrodescendentes, são segregados na oportunidade de emprego por serem alunos de escola pública e não terem a mesma formação que a jeunesse dorée da zona Sul do Rio de Janeiro. Talvez seja essa a mais dramática situação entre os três casos, pois é invisível a ausência do Estado e joga um contingente gigantesco nas mãos do narcotráfico carioca e nacional, onde o índice de sobrevida aos 25 anos é inferior ao da Síria em Guerra Civil há cinco anos. Fuzilados por seus iguais fardados quando retornavam da comemoração de um deles haver conseguido um emprego: 70 tiros de fuzil.

O mais triste é que todos os dias vemos nos meios de comunicação línguas de aluguel dizendo que necessitamos uma lei antiterrorismo, atendendo a Ordem Internacional do Kissinger de turno. A Ordem é inibir e criminalizar os Movimentos Sociais, que embora tenham defeitos, impedem crianças de se prostituírem, ou que fiquem como reserva para o narcotráfico, pela ausência de políticas públicas, que na Suécia existe até para cachorros e aqui "faz de conta" ou está sob tutela de ONGs de Copacabana.

Os espartanos na Grécia antiga se preocupavam com o ensino do valor e comportamento ético e moral elevado para que o futuro cidadão soubesse defender a sociedade e o faziam através de fábulas e contos infantis, pois sabiam da importância da ebulição infantil e juvenil na amplitude dos horizontes, zênite e evolução humana.

Fui criado com as fábulas de Monteiro Lobato, mas a atual é macabra: Em uma grande lagoa 204 milhões de bichos disputavam um lugar ao Sol. Todos queriam ser escolhidos para cuidar do Sol, mas os sempre preteridos denunciavam, vigilantes toda e qualquer manobra na administração do Sol sem preocupação com resultados ou objetivos. Até que esses vigilantes, já considerados vestais do Sol foram eleitos para cuidar do Sol. Todos acreditavam que a esperança havia superado o medo.

O Sol brilhava forte como nunca e para todos. Estranhas denúncias começaram a surgir (Ação 470) e terminou levando um número de líderes dos vigilantes-vestais à cadeia, sem formação de quadrilha. A grande maioria devaneou, pois o ditado de antanho: "Pobre nunca come melado, mas quando come se lambuza" se encaixava, e alternava com o platônico: "São pequenas mentiras para o bem dos humildes".

Tentaram tapar o Sol com a peneira, mas não passou muito tempo explodiu a "Lava à Jato". O Sol perdeu o brilho; Os olhos a esperança, substituída pelo escárnio no aguardo do desespero, desemprego e endividamento em uma crise gigante.

Muitos bichos festejavam a desgraça dos ex-vigilantes vestais. Os disfarçados de patriotas riam como hienas. No entanto, morcegos e macacos, a grande maioria atônitos e silenciosos respeitavam a agonia dos mais humildes. Continuaram as novas condenações e prisões.

Chegou o dia, um escorpião clerical desrespeitou a investidura e solicitou que a vestal-mór lhe atravessasse nas costas para o outro lado da lagoa. Cercada de inépcia, mesmo sabendo o resultado já conhecido por todos, ansiosa cedeu à esperteza e o escorpião subiu à suas costas...

Qual será o resultado? Na beira da lagoa clama a "turma do deixa disso"; Uns se justificam que morrem os dois; Os ingênuos creem que vai começar a grande depuração; Há os entreguistas, calados torcem para que tudo continue como antes. Poucos acham mau exemplo, para as crianças. O mal está feito, seja qual for o resultado.

Amanhã será outro dia e qualquer criança, ao crescer, vai lembrar mais da desgraça de diminuição do diâmetro legal do crânio para rebaixar o número de caso na microcefalia. Ela começou no estado que mais recursos recebeu do Ministério da Saúde, do titular conterrâneo , médico e candidato a senador, que ainda não disse um aí sobre o tema.

As crianças sem fábulas crescem e governam o Brasil que possui mais de cem arboviroses (mesmo grupo do zika), que pela dispersão do Aedes logo estarão infectados. As consequências nem interessam, sim que a propina na compra do veneno seja substancial.

A consciência das crianças de La Plata, Ayotiznapa e das favelas e vilas misérias brasileiras é única e sabem o significado de todas as fábulas, contudo, a disputa é desigual entre o valor cívico e propina mercantil. As elites nacionais respondem sem respeito ao patrimônio e porvir.

Onde as crianças não tem vida de cachorro, aprendem ética e moral para a vida (foto).

O jogo do poder, seja na educação, saúde ou agricultura, impede a divulgação de livros, como "Plow´s farmers folly" (La insensatez del Labrador de Edward H. Faulkner) de 1944 (El Ateneo, Buenos Aires).

Esse livro, em seu capítulo XII, diz que as pesquisas sóbrias e dados sérios com valor social sobre o solo e saúde das plantas deixaram de ser ensinados nas escolas e publicados na mídia pelo governo (EUA), desde 1910, quando enveredou-se no mercantilismo (propinas) de interesse financeiro, hoje denominado de Agribusiness. Esse é um dos 120 títulos banidos das bibliotecas públicas yankees.

Sem fábulas na infância, os adultos aceitam com naturalidade o Transplante de Bioma Fecal e as tratativas sobre o Clima do Planeta na COP 21 em Paris, como se o futuro do planeta estivesse dependente dos humores das Bolsas ou preços e bonificações.

Não é fábula, há gente pensando em reparar a microcefalia através fisioterapia, e, no futuro, com transplante de cérebro.
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Engenheiro Agrônomo e Florestal, escritor e ambientalista