segunda-feira, 25 de julho de 2016

Provocações do Tião: O problema é o Trumpismo, disse-me um leitor sem universidade


Sebastião Pinheiro*

O cientista Roberto da Mata, em entrevista à TV, afirmou que foi criança, em uma casa sem livros. Minha situação era pior, fiquei órfão muito cedo e forçado a “não chorar por não ter sapatos, pois haviam aqueles que não tinham o pé”. O primeiro nome do país independente foi “Império” do Brasil. Na casa onde morava ninguém era alfabetizado, pois escola era para a elite, logo, mesmo indo à escola, livro era supérfluo.

Aprendi a ler sozinho, antes dos 5 anos com outros primos que iam a escola. E, além do jornal O Dia, lia, emprestada pelo vizinho livreiro, as Seleções Reader’s Digest velhas que ele colecionava.

Ler e escrever é muito bom, mas lembro que tomei uma coça aos 11 anos por contestar meu tio, que rato velho não virava morcego, pois são espécies diferentes; Outro “tio” (as aspas, pois ele era casado com minha tia) me deu outra coça, pois ele disse “Orospoque”, para o helicóptero, e eu cai na asneira de corrigi-lo.

Hoje, a segurança que a leitura dá a TV retira, pois esconde a realidade ao não permitir a reflexão que ela traduz.

Meu assunto é a Convenção Republicana, seu início com os protestos generalizados, que me fez assistir os quatro dias, alternando CNN e FOX no show pirotécnico, algo difícil de digerir pelo pouco educativo, meus tios adorariam.

O bizarro eram as prédicas diárias de pastores religiosos que levavam os convencionais ao transe hipnótico. Discursos sem conteúdo ou qualidade, apenas fé partidária dos não contrafeitos a candidatura de Donald Trump. Foi uma avant premiére sobre a decadência do perigoso Império, que jamais ostentou este nome e para entender o melhor é ler Negri ou Lichtheim.

À frente da TV, recordei o canastrão Collor copiando os passos de Jânio Quadros, mas sob o “script” da Plim-Plim, como “caçador de marajás”, que teve até mesmo um Globo Repórter Especial para o prefeito nomeado de Maceió poder eleger-se governador. A leitura de permite reconhecer o coxo (rengo) sentado e o cego dormido.

Lembrei na época em que estávamos ultimando a constituição, quando o tresloucado desempregado Raimundo Nonato Alves da Conceição seqüestrou o avião da VASP no vôo 375, de 28 de setembro de 1988, e queria jogá-lo contra o Palácio do Planalto. Assassinou o co-piloto e baleou o engenheiro de vôo. Ele foi abatido por três tiros, mas morreu no hospital por “anemia falciforme”, uma anomalia genética sem nenhuma relação com os tiros dos “snypers”, conforme consta na Wikipédia, o laudo foi assinado pelo famoso legista Badan Palhares, que também atuou no assassinato e suicídio do PC Farias e namorada, contraditado por peritos de renome.

Sim, é da nossa índole o riso fácil, irresponsável, a pândega, galhofa ou troça herança da corte para o comportamento do povo.

Voltemos a Trump, os analistas yankees disseram, que o pior não é a eleição de Trump, mas o “trumpismo” como herança política na periferia do mundo. É isso que o Erdogan está fazendo? As corporações estimulam. Os analistas políticos yankees sabem que tudo lá já foi programado com antecedência de 50 anos no mínimo, bem diferente do que passa nas universidades periféricas caudatárias.

É razoável lembrar o “caçador de marajá” já governador de Alagoas, quando o Brasil conheceu uma tentativa de “11 de Setembro”, 23 anos antes e teria conhecido seu “Trump” também 27 anos antes, não fosse a intervenção do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha ter descoberto um erro na filiação do apresentador Silvio Santos ao PMB que fez a justiça eleitoral impedir sua postulação (foto).

Em três dias de propaganda partidária ele superava o Collor e seria o Berlusconi caboclo, mas foi indeferido.

Antes de a convenção republicana começar os golpes e atentados já somavam quase mil mortos e o dobro de severamente feridos em menos de dez dias. Durante ela o tiro policial ao afro americano foi respondido por veteranos com o tiro ao policial. Não sai nos jornais o altíssimo índice de suicídios de veteranos do Iraque, Afeganistão, mas garanto que preocupa a ação dos dois veteranos. Será que eles aprenderam algo na cultura do Oriente Médio que despertou neles a reação? Qual o risco disto se alastrar como em 1968... A impressa não pode publicar o que está fora da pauta ou do script. Eis a liberdade.

A convenção terminou com mais duas situações esdrúxulas antes do sangrento atentado em Kabul; Os tresloucados 9 assassinatos em Munique; E no Brasil houve dez prisões de terroristas”... Desinformado, eu pensei que era a galhofa típica contra a corte e já começava a listar: Zika, Chikungunya, Caxumba, Dengue, Delação premiada, Preço do Feijão, Preço do Leite, Fila no Aeroporto, Gabinete do Senador, Água de Porto Alegre. Mas a coletiva de imprensa do Ministro da Justiça me intranqüilizou.

Foi o taxista quem me trouxe a tranqüilidade de volta com seu forte acento carioca: “O Dr. lembra a Greve na Siderúrgica Nacional, houve 3 mortos. Mas foram eleitos mais de vinte prefeitos nas eleições municipais e pelo menos 3 governadores no ano seguinte...” Eu não entendi e ele continuou: Esses presos da “Hashtag”, já começam a carreira política e quiçá algum possa chegar ao píncaro e soltou uma risadinhas sarcástica similar à do pica-pau rei da Mata Atlântica.

Ainda atônito, ao pagar a corrida, atrevi a perguntar-lhe: O Sr. lê muito, não é? - Sim, foi a única coisa que herdei de minha mãe, que me obrigava a ler todo o dia e escrever 30 linhas sobre temas que ela criava.

Voltei para casa e entendi a convenção republicana: O que aconteceu na Bósnia e Kosovo não foi só um problema racial, nem intolerância religiosa. Tanto o Império, quanto as corporações não permitem existir uma fé (igreja) descentralizada; nem meios de comunicação ou escolas fora do script, por isso tanta língua de aluguel diz bobagem sobre escola e ideologia sem ler os 14 livros de Paulo Freire, um advogado desiludido, que se tornou o maior educador do Século.


Se Trump ganha ou não é de menos, mas Ted Cruz seguramente será o César seguinte ao próximo. O resto é outro carnaval, como dizia o vô Nono.
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*Enhenheiro agrônomo e florestal, ambientalista e escritor

domingo, 24 de julho de 2016

Eva e Lola, história de duas vidas roubadas

Uma cicatriz histórica se faz presente no cinema argentino, seja que gênero for. Os dramas gerados pelas restrições democráticas naquele País, durante uma das ditaduras mais sangrentas do continente, foram muito além da censura e deixaram marcas latentes em toda a população.

E o cinema, arte que reflete vivamente a vida social, não poderia deixar de expressar isso, em uma espécie de inconsciente coletivo.

Em “Eva e Lola” (2010), Sabrina Farji parte desse contexto para contar a história de duas amigas, colegas de trabalho em uma casa noturna. Ambas representam dois pólos de um mesmo drama coletivo: uma é filha de um militante morto nos porões da temida Escola Superior de Mecânica da Armada, a ESMA; e Lola, filha (seqüestrada) e assumida por um casal, cujo pai é um ex-torturador, que se encontra com a saúde debilitada.

Sobre a vida de ambas amigas está esse peso, que é, ao mesmo tempo, uma busca – de uma identidade – e uma fuga e um vazio que o passado deixou.

Administrar isso, em uma relação entre duas pessoas que tem tanto em comum, e ao mesmo tempo, sensibilidades diferentes em encarar sua realidade, é um desafio para a manutenção dessa amizade, e ao mesmo tempo que uma prova de fogo, sobre a possibilidade de superar uma dor para que a própria existência se torne menos amarga.


O clima natalino dá um toque mais profundo nesse conflito constante de acertos com as memórias e o tempo. No meio disso tudo, o amor romântico - na medida e no tempo que ele tem pra florescer.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Paulina - SOBRE VIOLÊNCIAS E REAÇÕES CONTROVERSAS


Estava há alguns dias pra comentar algo sobre esse filme. Nesses tempos de extremos, em que a violência contra a mulher ocupa a centralidade de diversas outras violências, é pertinente, sempre, tentar compreender. Se é fato que a espécie humana, dita racional ,tem liberado impulsos que assustam, não é menos verdade que as reações do Estado ao crime sexual - em suas variadas formas- andam, invariavelmente, distantes e alienadas de qualquer resposta propositiva à transformação desses comportamentos - em geral, ao contrário, facilitam a perpetuação de sua cultura, eepecialmente entre celas. Santiago Mitre, audaciosamente, em direção oposta ao senso comum, põe uma lupa sobre a questão, abordando essa temática por uma órbita surpreendente: um estupro no meio rural, em que a vítima (Dolores Fonzi) é uma estranha ao contexto e que se posiciona na contramão das expectativas. Paulina (Argentina, Brasil - 2015 - 103min) vale a pena ser conferido, não apenas por ser tão próximo de nós geográfica e psicologicamente, mas, sobretudo, porque contrasta com a pobreza de argumentação a respeito do que ainda nos resta para reagir aos comportamentos que municiam o discurso sobre a negação da viabilidade do equilíbrio de nossa raça, contra os caminhos do medo, da dor, do ódio, da clausura ou da morte.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Provocações do Tião – Biopoder Camponês contra os complexos agroquímicos e o onanismo pornográfico da academia

Lisarb estava “chinchudo” como dizia seu vizinho “pampeano” e isso não tinha nada a ver com a Copa América, onde todo mundo cantava o hino com a mão sobre o coração. Lisarb, um genuíno workarholic, depois de postar sobre a separação de Huminas A.S e Huminas AIS (Ver BIOPODER CAMPONÊS (BIOPODER CAMPESINO), adotou o trabalho feito pelos chineses para encontrar o famigerado Roundup, nave-mãe dos agronegócios internacional no meio ambiente, águas e principalmente alimentos, através do complexo de Glyphosate-Ag(2HL) e Glyphosate-NH4H2L, (FOTO), sem recorrer ao uso da Nihindrina, extremamente tóxica e exigente de muita segurança química.

Optou pela Fotoluminescência das moléculas anteriores, com o eletroquímico Methyl Viologen. Contente como cachorro com dois rabos, começou a cantar e dançar sozinho; como o velho Mandinga da novela, Lisarb tinha suas razões superiores. Em 2014, espantosamente, a Monsanto registrou o seu herbicida como bactericida, e também como fungicida (Poucos lembram, mas o veneno já possuía seu “dímero” Polaris usado para evitar o amadurecimento de cana de açúcar, além do geno y xenotóxico ser usado para engrossar e amadurecer banana à doquier, até mesmo aplicado de avião sobre as cidades, pois a Lei 7802/89 jamais foi fiscalizada no Brasil nos últimos 26 anos, e não foi destruída pela coragem do velho e tinhoso Lutzenberger (RIP) e seu fiel escudeiro bugre-caboclo “Juquira”.

Depois, o nomeado Ministro R. Rodrigues escolheu o Executivo da ANDEF como diretor da Câmara Executiva de Agrotóxicos do MAPA. O consumo aumentou 800% e o Brasil ultrapassou os EUA e a U.E que possuem uma agricultura cinco vezes maior que a nossa que é a quinta no mundo.

Não olvidem que a Senadora Ministra da mesma pasta justificava a excelência dos agrotóxicos para dar de comer aos pobres), sem prepotência ou arrogância, deduzia ser isso uma medida precautória junto ao governo dos EUA para evitar indenizações futuras, já que, em 2002, mais de 30 mil cervídeos (veados e alces) foram sacrificados por desenvolverem a Chronicle Wastings Disease (CWD) um príon similar ao mal da vaca louca. As investigações esbarraram que os animais tinham sido alimentados com feno feito com restos de colheitas de cultivos transgênicos resistentes ao herbicida, e que estavam bastante contaminados pelo mesmo; já existiam mais de 200 espécies mutantes resistentes ao seu herbicida, ocupando mais de 500 milhões de hectares; em 2010, irrompeu a Epidemia de Disbiose, com mais de 500 mil afetados e 50 mil mortos e a equação sanitária com o valor “m trigonométrico” apontando para um pico além de mil vezes este valor por culpa dos patógenos Clostridium difficile e várias Salmonelas.

O poder corporativo mercantil junto ao governo yankee impedia a ciência vincular seu herbicida e sementes transgênicas com a destruição lenta e paulatina da diversidade da microbiota intestinal humana pela ação fúngico-bactericida do renomado agrotóxico; além de acionar a mídia para sua defesa.

A flora intestinal humana normal contém de 4 a 6x10 elevado a potência 40 espécies, quando a ciência atual tem a capacidade de isolar e cultivar em laboratório menos de 0,1% desse total, embora pelas técnicas de Biologia Molecular permitem extrair o ADN/ARN desses micróbios e supor os grupamentos (clusters) formados e sua diversidade na flora intestinal (e também no solo) com repercussão sobre o funcionamento dos sistemas imunológico, nervoso e endócrino.

O amigo, médico Dr. Filártiga chamou de “desquisición científica” o postado no Facebook em 29 de abril passado (Ver: Perguntas sobre o Glyphosate, a ganância e de outros venenos que nos cercam diariamente), sobre a origem do Glyphosate como limpador de tubos e caldeiras através da “quelação” de várias dezenas de minerais, desde alcalinos até as Terras Raras. E lisonjeado com os elogios do cientista guarani, Lisarb se pôs a estudar o metabolismo dos felinos. Esses carnívoros, em estado selvagem, sempre começam sua refeição pelo aparelho digestivo das presas abatidas para ingerir enzimas, vitaminas e micróbios para seus intestinos. Somente depois é que atacam as carnes, que justificam sua classificação sistemática.

A importância das enzimas como biocatalizadores recebeu companhia com a descoberta pelos cientistas Hopkins – Funk e Szent-Gyorgyi das vitaminas. Vitaminas são substâncias produzidas em vegetais e micróbios, e acumuladas em alguns órgãos de peixes e animais, fundamentais para o desenvolvimento, saúde e evolução; Na sua ausência, provocam uma série de doenças degenerativas mortais.

Algumas vitaminas são “siderofóros”, outras não. Sideróforos (siderophores) significa “Transportadores de Ferro”, exclusivamente pelos saprófitos, que impede a reprodução e nutrição dos patógenos. Há uma década, ganhei o livro Plant Pathology & Plant Pathogens, de John Lucas, onde explica esse mecanismo evolutivo (grosso modo): Os patógenos (necessitam matar as células com toxinas para sua alimentação), enquanto os saprófitos aproveitam as células naturalmente mortas beneficiando os seres invadidos. Para evitar as toxinas dos patógenos, os saprófitos oxidam e solubilizam o Ferro com moléculas complexas e os patógenos morrem de inanição.

Os pequenos agricultores, na América Latina, produzem, para sua agricultura, um caldo rico em sideróforos, desde 1983 (SuperMagro). Um cientista disse: “Na Alemanha fazemos o amanhã ontem para dominar o hoje”. O biofertilizante camponês chegou trinta anos antes do “neo-Alinit” da biotecnologia alemã, que já era comercializado em 1897. Biopoder Camponês!

Acidentes e ferimentos com pregos enferrujados, ossos podres, terra e outros eram tratados emergencialmente com certas plantas ricas em enxofre aquecidas para acelerar a reação (cebola, alho, mostarda, couve, agrião, coentro, babosa, oliva etc.) que fazia precipitar o sulfeto de Ferro de altíssima insolubilidade 1x10 elevada à potência negativa 23 retirando-o da infecção, facilitando a ação dos saprófitos.

Nosso Glyphosate de cada dia tem ação sobre os saprófitos no interior do estômago e intestino inibindo a formação dos sideróforos dando espaço para os patógenos Clostridium difficile e Salmonelas causarem as diarréias e o diagnóstico de “intestino irritável” dos gastroenterologistas.

O consumo de alimentos industrializados pelos europeus e norte-americanos é quase exclusivo, e a suplementação vitamínica feita de forma artificial ou sintética com a presença de Glyphosate exacerba a epidemia com a presença do veneno na água e em todos os alimentos industrializados, principalmente os oriundos do milho, soja matérias primas básicas na dieta desses povos. Repito, muitas vitaminas são sideróforos (FOTO) e nem sequer comemos mais a clorofila e os pigmentos vegetais que tem as funções de oxidantes, e eliminação de toxinas fúngico-bacterianas, que antes, recebiam o nome de “radicais livres” para contrariedade de alguns alopatas com o termo.

Nosso problema começa quando os resíduos de Glyphosate nas matérias primas são processados a temperaturas elevadas acima de 170 graus C, pois ele sofre uma desidratação e se dimeriza em ácido 2,5 Dioxo-1,4 piperazinyl bis (metilfosfônico), de fortíssimo impacto sobre o sistema endócrino, nervoso, e principalmente, imunológico.

Nas listas de substâncias carcinogênicas e mutagênicas, há uma série de homólogos desse núcleo sendo uma delas o degradabólito do Aspartame, que quando aquecido acima de 86 graus F, conforme a controvérsia existente nos EUA. Tudo mantido sobre o manto protetor do governo, que, recentemente, justificou a validade dos cultivos transgênicos no tocante à inserção do gene e não a repercussão do seu uso indissociável ao herbicida e suas conseqüências.

Nossa preocupação é que, para eliminar as 200 “ervas daninhas mutantes resistentes ao Glyphosate” está sendo adotado o uso do herbicida Methyl Viologen (Gramoxone), já banido da Europa há mais de 40 anos, por riscos, e que retorna, com a pressão da OMC, sobre os governos nacionais ou comunidades livreS de controle toxicológico. E isso ocorre, principalmente na periferia do mundo, onde o governo não pode fiscalizar a fabricação, importação e uso dos venenos, nem aplicar as medidas como a Diretiva Comunitária 91/414 da União Européia (que lá também nos últimos dez anos vem retrocedendo na capacitação e treinamento dos agricultores para a adoção de medidas efetivas de segurança laboral na agricultura e adoção de técnicas superiores ao uso de agrotóxicos), que faz parte das insatisfações dos britânicos do campo no “Brexit”.

A propaganda abusiva dos agronegócios já usa desbragadamente o termo ilegal defensivo agrícola e muitos cientistas oficiais e professores de Universidade, em onanismo pornográfico, voltam priorizar as denúncias sobre os resíduos de agrotóxicos nos alimentos para provocar o desespero e alta de preço nos orgânicos, quando não são alienados e induzidos, muitos têm cartões de gastos corporativos de empresas e cumprem o script de suas ações.

Em um solo com uso continuado de Glyphosate e plantio de sementes transgênicas resistentes ao mesmo, começa o uso de Gramoxone para o controle de “ervas daninhas mutantes resistentes”. Logo, nos deparamos com o problema citado acima de formação do ácido 2,5 Dioxo-1,4 piperazinyl bis (metilfosfônico) no solo catalisado pela presença de Terras Raras que provocam sua fotoluminescência.

Depois de inocular solução de ácido shiquímico em solos tratados com Glyphosate e avaliar durante 16 dias seu metabolismo, agora estamos usando a mesma Cromatografia de Pfeiffer para realizar esses cromatogramas, que são de rara beleza pela fosforescência em UV, embora ainda falte um pouco para sua finalização somos obrigados ao alerta precautório pelo potencial de risco ecotoxicológico em nível molecular (FOTO).

Em meio ao “blá blá blá”, disbiose-mental e servil em universidades e ONGs, nutridas pelo governo, preparamos o “Bombeiro da Agroecologia Camponesa com todos os livros antigos como “Cosmos”, “A Biosfera”, “Medo e Ousadia” e no caso específico Weeds: The Guardians of the Soil, de Joseph Cocconour... são ferramentas estratégicas para evitar que se espere a chegada “sintrópica” das grandes corporações para o mercado que vem sendo elaborado desde a década de 80. 






Para entender melhor, leia BIOPODER CAMPONÊS (BIOPODER CAMPESINO).

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Sebastião Pinheiro

Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor


















terça-feira, 28 de junho de 2016

Provocações do Tião - BIOPODER CAMPONÊS (BIOPODER CAMPESINO)

Junho, 16, 2016

Sebastiao Pinheiro*

O exponencial de riscos de Mudança Climática cresce com desastres como as tempestades de pó, desde a Mongólia até o Japão, e o avanço dos furacões e tornados cada vez atingindo maior latitude no Hemisfério Boreal, e começando a tornar-se freqüente no Austral, onde amiúde as catástrofes como secas prolongadas, golpes de calor e as “Super-Células” e “Micro-explosões” (Porto Alegre e Campinas) se fazem presentes.

Os cientistas chineses Li Cuilan, Gao Shuqing, Gao Qiang, Wang Lichun e Zhang Jinjing, felizmente, se debruçam sobre o teor de “Huminas” na matéria orgânica do solo para reversão dos fenômenos meteorológicos através da Geoengenharia.

A agricultura moderna, nos últimos dois Séculos, negligenciou no conhecimento da matéria orgânica no solo, em especial, sobre os “ácidos húmicos”; Mais ainda, sobre as huminas, a fração insolúvel dos mesmos. No entanto, já em 1826, Carl Sprengel, pai da Lei do Mínimo, separava o “Carvão Húmus”; e, em 1839, Berzelius a “Huminas” que permaneciam insolúveis nas soluções alcalinas.

Somente em 1919, Oden completou sua classificação onde, além do Carvão Húmus (Huminas), temos: Ácido Húmico – Ácido Himatomelânico e Ácido Fúlvico conforme a Tabela 4 do livro “O Húmus” de S. Waksman na página 82. (FOTO)

A restauração popular da Cromatografia de Pfeiffer, na última década, permitiu aprofundar este fracionamento, de forma pedagógica, para o “Biopoder Camponês”, embora sem uma preocupação maior com as Huminas, agora estratégicas na ameça de Mudança Climática (COP 21). Essa é a preocupação chinesa e também das Fundações Rockefeller, Bill & Melinda Gates e Institutos de Pesquisas pelo mundo.

Na última década, a cromatografia das Chinampas, Ultisoles, Terra Preta de Índio da Amazônia, Turfas, Leonarditas e compostos mostraram que as Glomalinas, Huminas e, principalmente, o “Carvão Ativado Coloidal” presente nelas precisam ser levado em consideração na Cromatografia de Pfeiffer, pois, às 6 horas de repouso e decantação da amostra, no método não é suficiente. Foi necessário ampliar este prazo para 12 horas, 18 horas e 24 horas para uma “corrida” limpa no cromatograma sem a necessidade de diluição da amostra (5g/50ml NaOH 1%) ou uso de saturação de vapor de água.

O método de fracionamento das Huminas Solúveis em Álcalis (AS) e das Huminas Insolúveis em Álcalis (AIS), proposto pelos cientistas chineses, é muito complicado, pois exige a partição com solução 0,1 M/L de NaOH + Na4P2O7 a 0,1 M/L de 25 a 28 vezes seguido de tratamento com HF – HCl a 10% para desconstruir a biomolécula. 


A Humina isolada é, então, fracionada nas frações Humina-AS e Humina- AIS por extração exaustiva com NaOH 0,1 mol L -1 (de 12 a 15 vezes) e a análise de Ressonância Magnética Nuclear do C13 em estado sólido, usando a técnica de polarização cruzada e o ângulo mágico (13C CPMAS RMN) é utilizada para caracterizar e comparar as estruturas químicas da Humina e suas frações correspondentes. (FOTO)

Este último parágrafo deixa qualquer técnico “perdido” ou impotente, pelo que devemos “huarachizar” a ciência para evitar que ultrapasse a “barreira do som” (entendimento popular), muito comum nas caricatas academias.


Então, uma colaboração: – Após a terceira mexida tradicional da Cromatografia de Pfeiffer na solução de Solo Agrícola Comum, Turfa ou Terra Preta de Índio se deixa a mesma decantar por duas horas e se trasfega com cuidado para outro frasco, assim se elimina a Areia fina e Silt (que passam na malha 200 mesh ou vual).

Deixa-se decantar às 4 horas seguintes no escuro e a baixa temperatura no caso de solo agrícola comum (e 10, 16 e 22 horas nas amostras de Ultisoles, Composto, Turfa e/ou Terra Preta de Índio da Amazônia) e se trasfega com cuidado para outro frasco a parte solúvel ficando no fundo a fração de Huminas insolúveis em álcalis, uma goma igual a um chiclete. É possível lavar essa fração com água destilada e colocá-la para secar e posterior determinação gravimétrica para avaliar os efeitos da aplicação de Pós de Rochas, Biocharcoal, Adubação Verde, Compostagens e S.A.Fs aplicados ao solo em estudo. Isto é fantástico…

Os chineses dizem que seus resultados evidenciaram que, independentemente do tipo de solo, a humina total era a mais alifática e mais hidrofóbica, A Humina-AS foi a menos alifática e A Humina-AIS foi a menos alquilada entre as três componentes húmicas. Os resultados demonstraram que a Humina Total e suas correspondentes frações AS-humina e AIS-humina são estruturalmente diferentes uma da outra, o que implica que há diferença entre as funções desses componentes húmicos no ambiente como fixadoras dos gases do Efeito Estufa no solo que é a meta do poder financeiro, industrial e econômico sobre a ciência mundial.

O Biopoder Camponês contribui de outra forma: O cromatograma de Pfeiffer feito com terra de casa de cupim nos permite ver o maior equilíbrio que na maioria dos solos e até mesmo da Turfa ou Terra Preta de Índio da Amazônia. O húmus ao ser mastigado ou passar pelo trato intestinal da térmita é preparado para as paredes da casa do ser ultrassocial e o protege da radiação ultravioleta e calor, além de possuir um campo eletromagnético poderoso e uniforme. (FOTO).

Na Amazônia, os indígenas usam os cupinzeiros como fornos pela sua capacidade de resistir a altas temperaturas, o que foi aplicado ao “nariz” dos Space Shuttle da NASA revestidos de polímeros sintéticos que imitam as paredes dos cupinzeiros na sua forma tridimensional de dispor os ácidos húmicos para aguentar as temperaturas e luz ultravioleta que levariam um metal ao derretimento ao reingresso na atmosfera terrestre pelo atrito e risco aos tripulantes no interior da espaçonave. Os egiptólogos sabem que nas pilhas faraônicas utilizavam húmus junto com os metais de Cobre e zinco para prolongar sua durabilidade. (FOTO).

A maior atividade ultrassocial do Biopoder Camponês é produzir alimentos; a complementar evitar a Mudança Climática e a suplementar impedir que os avanços da tecnologia ultrapassem a barreira do entendimento. Já os governos títeres primam por fazê-lo e seus súditos com a mão sobre o coração cantam seu hino na Copa América.










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*Engenheiro Agronômo e Florestal, ambientalista e escritor.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O poder é um fluxo que não admite incompetência

Sebastião Pinheiro*

Lisarb, o “Pereba” passou a noite com os olhos pregados na TV, cônscio de saber da trava em seus olhos e sem preocupar-se com o cisco no alheio (Mateus 7:3). Nunca em sua vida, antes, havia visto um jogo preliminar tão cretino.

A covardia ingênua da vítima presa com o focinho na ratoeira (corrupto) e a coragem medrosa dos algozes iguais, ainda livres. O resultado o espantou, pois a abstenção funcionou como empecilho a que “toda a unanimidade é burra” ensinamento do irmão de Mário Filho: 74 a 1. O Senador covarde, em desgraça, não teve a grandeza de subir a tribuna e transformar sua delação em libelo contra seus juízes. Não gritou como Danton (Tu me seguirás... Renan, Jucá, Barbalho, Agripino, Aécio, Gleici, Collor, Aziz, Braga et caterva). O ato de coragem eliminaria muito por baixo dez senadores com folha corrida igual à dele.

Será o silêncio o aceno com Anistia?

“No Brasil até o passado é incerto”. Postei Tânia e compartilhei a dignidade de R. Flores Magón.

Bem, o jogo de “cortar na própria carne” permitia aos que vivem de “pão e circo” aceitar o resultado do jogo principal, a decapitação da “Maria Antonieta”. Eqüidistante, com uma planilha analítica, Pereba separou os votos em três colunas: Aptos – Corruptos e Ineptos. Não lhe importava orientação ideológica, nem cultura ou “finesse”, apenas a fundamentação no voto.

Ao final seu escore foi 12 – 25 – 40. Alguns eram piores que defesa de moção em assembléia estudantil. Outros, mal lidos, do escrito de uma assessória, que permitia perceber, se homem ou mulher. Já os votos de Aluisio Ferreira, Cristovão e Collor, Viana e Requião foram dignos de tribunos.

É triste, em 13 anos os que pleiteavam um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiram desindexar 25, e pior, burilar 40, pois não houve cuidado com a educação no plano ético e moral; menos ainda com a saúde e fizeram tudo tão errado com a Segurança Pública que ressuscitaram um zumbis do armário da ditadura (Etchegoyen). Pior foram corruptos, do primeiro ao quinto, e invertido, como se escreve no jogo de bicho.

Ignorantes de que o poder é um fluxo de energia unidirecional e vertical que não tolera desculpas, manipulação, remediação ou diversão promocional. O acobertamento ideológico às denúncias para fugir do alcance da Justiça desgasta e desmoraliza tanto quanto os números ou leis manipuladas.

Não tenho dúvida, sim houve um golpe. Os golpistas de 64 triunfalmente anunciam, agora, haver-se antecipado a outro antagônico que foi menos competente. Sim, somos prepostos. O estranho é que, agora, usam os mesmos instrumentos de antanho o Congresso Nacional, Mídia, ódio, soberba, incompetência e corrupção.

O governo tem culpa, muita culpa. São marxistas de arack, que desconhecem Ho Chi MInh em seu testamento, onde recomenda a autocrítica como resposta à toda e qualquer crítica para elevar o nível da educação política. Gente pobre de espírito. O fato de gente sair a rua pedindo à volta da ditadura foi o exemplo mais vexatório no último século.

Quem “vive para o pão e circo” desconhece que a mandatária, economista de profissão, ao não mostrar competência na produção de números, por honradez e humildade, deve fazer o meã culpa e pedir o boné, não esperar o pontapé na bunda, pois o que chuta se arvora de “salvador da economia, sociedade e povo”, pois são as ordens que cumpre como preposto.

História faz bem à saúde: O sucesso dos piratas holandeses com a “Companhia das Índias Ocidentais”, empresa criada com o botim do carregamento de prata (1623), espelha-se na trajetória de Sir Francis Drake, meio século antes, que abriu um novo e rentável segmento financeiro: A securitização do transporte marítimo para o império britânico-holandês através do poder militar.

A fundação da “República dos Piratas” foi um contraponto, embora não ameaça, mas pôs as realezas com as barbas de molho pelo que em 5 de Setembro de 1717, o rei George I proclamou um perdão real para todos os piratas, trazendo para seu lado três centenas dos de primeira linha. Seus sucessores o cumpriram à risca.



Só os ingênuos crêem em benevolência real. Cinco anos antes, Benjamin Hornigold, mentor de “Barba Negra” e “Sam Bellamy”, entre muitos outros, havia fundado uma República de Piratas em Nassau, e isso poderia prosperar por todas as 13 colônias americanas de forma catastrófica.

Obter informações dos piratas sobre suas compreensões sobre a realidade na América permitia organizar, antecipar e evitar o golpe.

A fundação da república nos Estados Unidos, em 1776, é mais próxima à “República dos Piratas” que à Coroa de George III, o derrotado. Foi um Golpe (E que golpe).

O poder é um fluxo que não admite incompetência, ainda mais nos prepostos.

Lisarb viu nestes 13 anos muita gente incompetente, revoltada e corrupta não se preparar para defender sua proposta ideológica. Triste poderia discorrer sobre a não aplicação da Lei dos Agrotóxicos e Transformação no país no maior consumidor dos mesmos e Transgênicos; O fim da Varig; O fim da Coolméia; O Projeto de legalização do Terminator do Vacarezza ou das modificações na MP da Leniência, mas detalhes não são observáveis por quem vive para o “pão e circo”, pois importa apenas propaganda e jogo de cena.

Um derradeiro exemplo basta para tripudiar sobre a realidade: A foto é do reitor da Universidade do Maranhão, agora professor fantasma (salário de 16.000,00 reais, cujo filho médico é funcionário fantasma do Tribunal de Contas do Maranhão, mas trabalha em São Paulo) Waldir Maranhão, interino na Câmara Federal chamado por seu governador F. Dino, ex-Juiz Federal e ex-professor de Direito, quadro do PC do B(?). Elaboraram a anulação revogando as sessões da Câmara que votaram o Impeachment com o Ministro da AGU.



Quem pleiteou um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU se transformou em escárnio mundial. Se a mandatária não sabia, não havia mais fluxo de poder sob suas mãos. Se, sabia é o pior, muito pior.

Renan não pestanejou, era o "Habeas Corpus" que necessitava. “Somente farei o julgamento do Impeachment, após a cassação do desafeto Delcídio”. Logo, qualquer abstenção é burra.

Aguardem, não haverá condenado graúdo na Lava Jato, nem punição à Cunha. Duvi do dó. Não haverá prisão, exílio ou olvido, apenas anistias políticas e econômicas para as grandes trapaças do governo de fenestrado.

Penas, punições com gradação severas só com os piratas: Amputação da mão; Perna e o caminhar na prancha, didaticamente antes vista.

Aqui e lá fora há uma guerra de bugios: Temer é agente da CIA. Dilma perdoa o empréstimo de 30 bilhões à Friboi (Meirelles, novo Ministro da Fazenda/Lula Jr?). Lula/Dilma “queimaram” 3,3 trilhões. Roger Agnelli, da Vale, denunciou extorsão de consultores (partidários) à Dilma um dia antes de morrer em raríssimo acidente de avião.

Em “firme terra brasilis” o espaço é da bisbórria e sarfadanas dos acólitos quase filigreses (procurem o significado).


Nada disso importa à mão do Council on Foreign Relations CIFR (foto), ontem e hoje. Sob a bandeira negra a luta segue e segue sem golpe ou contragolpe.

É impossível ocultar a verdade no tempo, pois haverá o amanhã.
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*Engenheiro agronomo e florestal, ambientalista e escritor

Juventude, em várias fases

Uma pintura, uma trilha ou uma poesia são linguagens de tempos próprios, sobre as quais o cinema tem o potencial de estabelecer convergências como nenhuma outra arte. Em A Juventude essas relações se dão em um nível metafórico intenso, que passeia constantemente entre fases distintas da vida. Paolo Sorrentino constrói uma bela e perturbante narrativa que convida a pensar sobre a redescoberta da de cada um, em diferentes momentos. Tendo como pano de fundo belíssimas paisagens dos alpes suiços, dois idosos experimentam o envelhecimento como um momento muito além de uma fase de silêncio: um período de grandes transformações espirituais, q se reflete sobre quem nos cerca, em uma relação recíproca e renovadora.

sábado, 7 de maio de 2016

Provocações do Tião - Ingenuidade pouca é bobagem

 Sebastião Pinheiro*

Todo barco pirata é pequeno, veloz e com bom poder de fogo, mas é na sua tripulação que está a chave para evitar que ele se torne na solidão da espera, uma Nau de Insensatos.

A audiência do Presidente do STF a vários partidos políticos exigindo a impugnação do presidente da Câmara e a indicação do Ministro M. A. de Mello como relator, à solicitação para o dia seguinte, provocou a reação, e deixa uma pulga atrás da orelha na marujada (foto)...


A ingenuidade abre as portas do paraíso aos gentios, pelo que duvido que o voto do Ministro Teori Zavascki tenha sido elaborado em poucas horas.

Emergencial foi a liminar de sua excelência concedida para a solicitação feita em 17 de Dezembro passado. Essa é a diferença entre o artista e o virtuose. O primeiro executa, atende; já o segundo, o faz com tal desempenho, harmonia (oportunidade) que é único e está acima da razão.

Ingenuidade pouca é bobagem. Não houve competência para conter o parceiro Cunha na candidatura à Câmara Federal. No poder, ele mostrou que o buraco era mais em baixo, além do infra-mundo moral, ao mesmo tempo que sua eficiência gestora gigantesca, em proveito próprio.

Fez-se de conta enfrentar sua súcia com refrães juvenis e clichês, mas "No hay mal que dure cien años, ni enfermo que los aguante". Menos de duas horas depois do anuncio do presidente do STF ribombou o trovão anunciando a Mãe de todas as tempestades, a liminar de afastamento, pegando a todos no contrapé.

O elaborado voto estava já a tempo suficiente em um barril de carvalho, que pela mitologia celta, simboliza honra.

Já há tanto tempo amadurecido, tinha a qualidade suficiente para impedir aventuras rocambolescas nos escaninhos de vaidade e poder. À luz, impediu "as vivandeiras de tribunais" e que, moribundos recebessem a "visita da saúde"; Cadáveres levantassem nos necrotérios; Zumbis das tumbas ou acorrentados fossem libertos, e até pôs uma pá de cal na proposta de eleições extemporâneas, confundindo e levantando ondas ameaçadoras de retrocesso.

O jovem estudante foi citado, por não querer deixar o país, quando o interessante é ensinar a todos a chegar ao país como cidadãos e não como privilegiados, como disse a ministra, dissecando a etimologia do termo.

Lembro o militante e político comunista que requeria recuperar o título nobiliárquico de seus antepassados, em situação juvenil, pior que a do estudante em preparação para ser elite hereditária. Há a liberdade em deixar o barco pirata a qualquer tempo, pela prancha...

Lembro ainda da época estranha, à saída do sopor da ditadura: O traficante "Meio Quilo" teve a bandeira nacional colocada sobre seu caixão, rapidamente retirada por um policial em vergonha pessoal. Nada mudou desde Pero Vaz de Caminha, os descendentes das capitanias hereditárias roubam desde a merenda à pesquisa científica, ou através das propinas centralizadas para os partidos, campanhas, construção do patrimônio de seus caciques ou na prestação de serviços (não convocação à CPI da Petrobras).

Escolas são ocupadas por novos "caras pintadas”, início de carreira política lembram o oportunismo para se eleger e ter sua lancha em um condomínio em Miami.

Policiais, promotores, juízes, pastores, artistas, técnicos, analfabeto conquistam mandatos, não por e para o exercício cidadão, mas por repercussão midiática de suas ações, úteis para arrastar votos da massa, multidão ou horda, em campanhas que a cada dia mais parece um show da Broadway, sem conteúdo, compromisso, apenas vaidades.

Motim só ocorre em alto mar, como diria Haydée Tamara Bunke Bider, "Tania" em seu poema:

“Dejar un recuerdo”.
¿Con que he de irme, cual flores que fenecen?.
¿Nada será mi nombre alguna vez?.
¿Nada dejaré en pos de mi en la tierra?.
¡Al menos flores, al menos cantos!.
¿Cómo ha de obrar mi corazón?.
¿Acaso en vano venimos a vivir, a brotar en la tierra?.

Na infância, chorava com o sentimento caipira na música de "Jararaca e Ratinho". Já com a faca nos dentes, concordei com “Reunião de Bacana” de Ary do Cavaco & Bebeto di São João.

Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não fica um
Você me chamou para esse pagode
Nem me avisou aqui não tem pobre
Até me pediu pra pisar de mansinho
Porque sou da cor eu sou escurinho
Aqui realmente está toda a nata
Doutores senhores até magnata
Com a bebedeira e a discussão
Tirei a minha conclusão
Lugar meu amigo é minha baixada
E ando tranquilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça
Pois não há ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia bacana
Se leva o bagulho e se deixa a grana
Não é como esse ambiente pesado
Que você me trouxe para ser roubado"

Os mais pretensiosos preferirão a obra teatral de Fernando Melo, “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá” ou “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto melhor adequados ao salvado do naufrágio, na significação de Goya.


Contudo, o cangaceiro “Jararaca” foi baleado quando da invasão de Mossoró e enterrado vivo (foto). Corre a voz no sertão que faz milagres. A propaganda anuncia que do outro lado da prancha está a "Arca da Salvação". No portão de Auschwitz dizia "O trabalho liberta".


A visão premonitória de "Tânia" e seu lindo poema continuam.

"Vocês passarão, eu passarinho".

Pois estou à bordo, na minha Natureza e Lar.

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*Engenheiro agrônomo e florestal, ambientalista e escritor

quarta-feira, 4 de maio de 2016

STF poderá ser julgado pela Corte Internacional de Direitos Humanos

Em termos de Democracia, nenhuma instância institucional é legítima por definição divina [e nunca será, mesmo que certos segmentos partidários, em evidência, defendam isso], e por isso mesmo está na elementar órbita da avaliação pública: a legitimidade é uma conquista diária, pelo voto, pela coerência e pelo respeito cotidiano ao interesse público. Fora disso, é pura ideologia, interesses próprios ou farsa total.
 
Foto: L&C

 

domingo, 1 de maio de 2016

A sabedoria de Vovô Nonô e as testemunhas que preservam o que nos falta

Sebastião Pinheiro*

Na minha tenra infância combati a felonia com a natureza, talvez por razões religiosas; A coisa mais triste era encontrar um sapo com a boca costurada. Todos tinham pavor do animal, condenado pela ignorância a uma morte cruel; mas o pior, é que, na comunidade, a quase totalidade acreditava que não se podia chegar perto do anfíbio, porque “o mal”, a inveja, o despeito ou o ódio podia pegar no incauto.

Mas, aprendi como Vô Nonô, um velho “ex-escravo”, que ao ver-me preocupado em descosturar a boca de um sapo-boi, untanha (Ceratophrys ornata) preveniu-me a jamais tocar na pele de qualquer sapo. “Use a folha de inhame (Colocasia sp.) ou mamona (Ricinus sp), mesmo assim, depois lave bem as mãos com urina. A gosma da pele do sapo é um veneno perigoso, embora alguns tardem muito tempo em atuar, sempre leva à morte”.

Como ele sabia tudo isso, se não sabia sequer ler? Fiz de tudo para pertencer à sua Escola...

Vocês não imaginam, depois desses cuidados, quantos sapos abri a costura e as coisas absurdas que tirei de suas bocas: retratos, cabelo humano, pedaços de roupa, brincos, até um batom.

Lavava o bichinho e depois o levava para um lugar mais protegido. Aprendi a respeitar os batráquios, não pela deusa Heqet dos egípcios, ou Chaac, dos Mayas, mas por sua metamorfose estranha para qualquer criança; embora tenha exultado, na universidade, quando aprendi que algumas múmias incas traziam o sapinho de ouro indicativo de precaução para quem viesse encontrá-los. Sábio Vô Nono.

Os livros dizem que Francisco Orellana foi um dos primeiros que relatam o uso do sapinho “muiraquitã” pelas amazonas, talhado em jade (Amazonita), emblema da Juquira Candiru Satyagraha.

Há uns trinta anos, em uma das viagens de apoio ao agrônomo Nasser, no Espírito Santo, soube que ele já encontrara, no Hortão de Cachoeiro do Itapemirim, minúsculos sapinhos coloridos. Regeneração de espécies da Mata Atlântica. Repassei a ele o que aprendera com o Vô Nonô. Nasser tinha amizade com Augusto Ruschi e sabia que o cientista fora envenenado, no Amapá, ao coletar alguns sapinhos Dendrobatas para um amigo cientista.

Um dos sapinhos mais perigosos é o dourado Phyllobates Terribilis, que pelo que se sabe, não existe na Mata Atlântica, apenas na Amazônia, entre a Colômbia e o Panamá. A secreção da pele de apenas um sapinho de 3cm de comprimento pode matar dez mil ratos ou 20 humanos adultos. O estranho é que o ele adquiri o seu veneno através de sua alimentação de um tipo de inseto coleóptero, popularmente conhecido como “burrinho” (Epicauta sp).

No sertão do Piauí, estes insetos são atraídos pela luz e sua “urina”, secreção causa uma queimadura terrível, pelo que são chamados educadamente de “caga-pimenta”. Seguramente, os genes de formação, no inseto, e de transformação, no anfíbio, já são de domínio para biossíntese de armas, e depois, para outros produtos comerciais.

Estava nesse devaneio matinal, quando recebi uma bonita carta do amigo João Batista Martins, de Rio Novo do Sul, no Espírito Santo, quem não vejo há mais de 25 anos. Na sua casa, comi “Olho de Sogra” feito com carambola (Averrhoa Carambola), doce de jaca (Artocarpus heterophyllus) e bolinho de fruta-pão (Artocarpus communis). Sim é uma felonia destruir a natureza.

O trabalho feito pelo Nasser era algo muito além de um Hortão, onde a Prefeitura Municipal distribuía alimentos de altíssima qualidade para as obras sociais do município, em especial, a merenda escolar; sem nenhum alarde, ideologia ou coisa parecida, em 1984, que serviu de modelo para a Lei do Estado de Santa Catarina para merenda escolar.

Quando o prefeito Valadão foi substituído, o novo prefeito, Ferraço, quis destruir o Hortão, mas ficou totalmente inerme, quando foi lhe dito que uma Associação Internacional de Agricultura Orgânica, sediada em Paris, tinha 250 mil dólares para doar para a manutenção do Hortão. Os olhos do político ficaram vitrificados.

Era parte, do trabalho do Nasser e do jornalista Ronald Mansur ajuda o MEPES – Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo responsável por duas dezenas de Escolas Famílias no sistema de alternância. Dizer que eles não tinham muitos recursos é eufemismo, pois eles careciam de tudo. Lembro que doei 400 exemplares do livro “Biotecnologia, Muito Além da Revolução Verde” para o pagamento dos professores e serviços.

Foi assim que causei espanto ao amigo João Batista Martins quando estava assistindo o casamento da filha dele na igreja. Ele exclamou espantado: “Sebastião, dentro da igreja!”. Fama, fruto de ação sempre radical. Sorrindo respondi: Já fui coroinha na minha infância, mas internamente lembrava as passagens do romance épico “Beau Geste” de Percival Christopher Wren.

O tempo passou, e o Hortão, antes de ser destruído pela vontade do Prefeito, recebeu da BBC de Londres o Prêmio de uma das 4 melhores inovações tecnológicas no planeta, no ano de 1993. A sabedoria e a ideologia no trabalho do Nasser não foi respeitada por inveja, ódio, despeito e felonia.

O João B. Martins foi vice-prefeito de Rio Novo do Sul, está com 82 anos, goza de boa saúde, e já tem bisnetos. Já devolveu à Mata Atlântica dezenas de milhares de árvores, sendo reverenciado até nos Estados Unidos.

Naquele então, em uma das visitas que fizemos à sua propriedade, acompanhando o Nasser e o Lutzenberger, ele contou a história que seu avô para evitar o corte das árvores da propriedade, colocava nas mesmas os nomes dos netos e nos fez plantar uma árvore cada um. O Nasser plantou um “ipê amarelo” (Tabebuia chrisotricha), o Lutz um “ipê roxo” (T. impetiginosa) e eu uma “farinha seca”, que estudei como Pithecellobium Niopoides, uma Leguminosa Mimosoidae, mas hoje é Albizia niopoides, Fabaceae, Mimosoideae, que os guaranis chamam de “Yvirá jy”.

Vejam, pela foto que a mesma já superou os sete metros de altura, e tem vinte centímetros de diâmetro a altura do peito (Foto). Naquela época, levei para o ES uns 10 quilos de sementes de cinamomo gigante (Melia Azedarach Gigantea), por causa do aedes aegypti, que surgia, hoje elas devem ter mais de 60 cm de diâmetro. Estive com o Nasser e com o MEPES, em Anchieta, há três anos, fazendo a cromatografia de Pfeiffer.
 
 

A “agricultura sem venenos” sofreu solução de continuidade. Mudou de nome e adquiriu ideologia revolucionária, embora patine há trinta anos sobre uma denominada “transição” que nos faz lembrar-se de A. Chayanov e sua sarcástica novela: “Viagem do meu irmão Alexei ao país da utopia camponesa”. Isso lhe custou cinco anos de trabalhos forçados em um Gulag, no Kazaquistão, e depois, foi fuzilado, acusado pela GRU (NKVD) de pretender formar o Partido Camponês no paraíso soviético de Stálin. Somente em 1987 o cooperativista rural foi reabilitado.
 
Meu radicalismo nas ações continua o mesmo, pois por de trás tem reflexões profundas e planejamentos espirituais: a transição na agricultura é retardada pela vontade dos “revolucionários” de plantão, esperando a sua Nova Ordem. Ignoram que fazem o jogo das grandes corporações, que, nos últimos 20 anos, vem estruturando, organizando e se apropriando da agricultura sem venenos para a elite que pode pagar mais caro.  

Por isso, em todo o mundo, todas as iniciativas foram transformadas em grandes conglomerados de bancos e monopólios como Nestlé, Coca-Cola, Pepsi-Cola, Kellogs, Hein Celestial... O grande problema é que não há folha de inhame ou mamona para evitar os venenos desses monstros... 

Moral da história: O J. B Martins ensina e permite a coragem de lembrar e ter árvores por testemunhas na construção do biopoder camponês nesse primeiro de maio, que, estranhamente, não é comemorado nos EUA, Canadá e Grã Bretanha talvez devido ao Haymarkett Day (04 May 1886) (foto) quando a disputa pelas 8 horas de trabalho foi tratada a bombas, tiros e condenas à morte e prisão perpétua.
 
 
Vocês lembram que, muito recentemente, Margareth Tatcher condenou prisioneiros irlandeses e mineiros do carvão à morte em Greve de Fome.?

Debout, les damnés de la terre - Debout, les forçats de la faim - La raison tonne en son cratère - C'est l'éruption de la fin. Salve o BIOPODER CAMPONES NO Primeiro de Maio.
 
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*Engenheiro agrônomo e florestal, ambientalista e escritor
**Fotos cedidas pelo autor