Em se tratando de vida em sociedade, já sabemos - tudo é comunicação. Ultimamente, com o acesso massivo ao Youtube e o intenso crescimento do uso de câmeras digitais nas mais diversas formas, tudo também passou a ser imagem. Me deixou, portanto, pouco surpreso, o caso da professora mexicana que gravou a ação de acalmar as crianças durante um tiroteio. A parte seu mérito sobre a valiosa iniciativa, diz ela que foi sem intenção de notoriedade. É possível. Mas o fato é a gravação e reprodução de imagens tem se tornado tão instigante às pessoas, que compartilhar momentos da vida – inclusive íntimos – já parece ser uma forma de reconhecimento como pessoa. A mediação estaria substituindo de vez a interação face a face na construção da identidade? O intrigante é que, em meio a todo esse turbilhão de retro-alimentado com imagens de/entre si, via mídias, tenho notado pessoas que assumem um processo de negação. Pois sabemos, a internet e o computador- seu suporte ainda principal – facilitam e estimulam também um certo isolamento. As pessoas se falam mais hoje, diriam alguns. Mas, considerando a comunicação apenas como um processo social, e a sociabilidade apenas um processo de contatos físicos, reais, diretos, em um nível de isolamento de um indivíduo de outros seres vivos humanos, o que temos aí? E o que colheremos daí enquanto novo ser humano? Algo diferente melhor ou pior do que o ser humano já é? Pensar sobre isso poderia levar a dezenas de outras questões. A família, talvez, seja a base de um desses eixos possíveis de indagações futuras, particularmente sobre a comunicação, a educação e os limites do que é ser humano hoje. O núcleo de uma transformação silenciosae de efeitos gigantesco.
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