terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sobre as forças que operam para o barbarismo e nossa teimosia de sermos melhores humanos

Peguei-me hoje, ao acordar, pensando sobre o nível de barbarismo do ser - humano e a cultura que desenvolve ao seu redor, com relação ao próximo. E também, a respeito disso, o quanto avançamos lentamente nesse sentido. Lembro de minha infância, sobre personagens que via passar nas ruas, sobre os quais concebia apenas como “monstros” ou “estranhos”, mas que se tratavam simplesmente de pessoas não-normais. É o caso dos dependentes químicos, andarilhos que falavam sozinhos, alcoolistas, pedintes com deficiência, enfim, todo tipo de “restos humanos”, que sobram dessa nossa fábrica de exclusão chamada sociedade moderna. Não seria difícil estender para outros seres vivos, - como animais, árvores, gatos, flores, carochinhas, e tudo o mais que circula pelo mundo infantil – esse olhar indiferente, repulsivo e, comumente cruel que nos é alimentado desde a infância sobre o que não é aos adultos tidos como normal, e que por isso, deve ser mantido a distância, mesmo que descompreendido. A partir dessas memórias e reflexões não fica muito difícil entender porque, após adultos, prosseguimos tendo um olhar bárbaro e indiferente para diversos tipos de maus-tratos que ainda persistem na atualidade. Avançamos muito, é verdade. Criam-se, a cada dia, novas sensibilidades em torno das diversidades humana e social. E nomes diferentes para tratar coisas outrora criminalizadas. O maconheiro e o alcoólico de ontem é o hoje visto como um usuário ou doente, que precisa auxílio; “alejado” já é considerado como uma pessoa com deficiência; O “bicha loca” tem seu espaço na socieade como homossexual, progressivamente assimilado nos seus direitos de ser humano. Mas tais compreensões, como já disse, são lentas, parciais e atravessadas por recaídas. Assusta-me ainda, igualmente, perceber que muitas crianças de hoje prosseguem sendo alimentadas por esse olhar e por essa cultura do descaso e da repulsa com relação ao estranho. O pior disso, em se tratando de uma sociedade midiatizada, é que há discursos showrnalísticos que atiçam a raiva e a vingança a tudo aquilo que é condenável, sob um sentimento maniqueísta que comumente se assemelha a uma religiosidade: A religiosidade da moral cínica. Tudo pode acontecer, não importa o porquê, a quem e como, o importante - nessa lógica – é que o fato explicita um desvio e precisa ser eliminado seu autor. E, no mais, seja preservada a condição de paz dos homens de bem e as boas famílias. A religiosidade dessa moral, que se apropria de alguns valores humanitários apenas para explorá-los como armas perversas em sua condenação a tudo que é “sujo”, tem contribuído para potencializar esse olhar indiferente e descontextualizado sobre a vida. E em nada contribui, por outro lado, para que se fortaleça uma sensibilidade mais ampliada sobre a urgência do respeito a todas as formas de vida, a despeito de tudo o que possamos nos transformar. A pulsão de morte e a pulsão de vida, portanto, convivem no mesmo ser humano diariamente. E se nos “civilizamos” (ao lado de uma certa objetificação dos seres inferiores) é muito certo que convivemos com pensamentos e sentimentos que mal temos dimensões do que são capazes em termos de crueldades. Voltaremos a esse tema oportunamente.

Abaixo, imagens do filme Marcas do Desitno, drama baseado na história verdadeira de Rocky Dennis, um adolescente que nasceu com uma estranha deformidade no rosto e todos acham que usa uma máscara. Cher, em seu papel principal no cinema, é Rusty, a mãe do rapaz. Com a ajuda do amor descompromissado e a inabalável determinção de Rusty, Rocky enfrenta a dor, a solidão e os preconceitos para emergir como um extraordinário jovem que se torna uma inspiração para seus colegas e professores. (sinopse reprozida de cinemu, onde há também o trailler oficial).

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