segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Uma transformação implacável sobre seres humanos notáveis

Bem mais do que as transformações geográficas, econômicas e comportamentais decorrentes da modernidade, o documentário "Ainda há pastores?" dá uma dimensão especial dos processos de adaptação dos indívíduos ao novo. Demonstra, nesse sentido, como as coletividades mais isoladas desenvolvem formas de resistência ao que enxergam como fútil, valorizando a simplicidade da vida. Faz também refletir sobre aquilo que a cultura do consumo tende a descartar como arcaico, mas que é a razão de ser de determinados habitantes da terra. Por quê, e até que ponto, o velho deve ser visto como brutal? Temos mais recursos tecnológicos e melhor aproveitamento do tempo no trabalho industrializado, mas como isso se reverte, de fato, para a realização individual dos seres humanos? O que, enfim, estamos nos tornando nesse enorme formigueiro humano, hierarquizado e desordenado, que é caldo de cultura para a competição, a ganância e a violência? Ainda há pastores não responde todas essas questões, mas deixa uma boa margem de silêncio para a reflexão sobre a origem dessas contingências.

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