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| Foto: Divulgação/Unimusica-UFRGS |
Já na abertura do show com os 1.200 lugares do amplo salão
já quase lotados, Pascuala foi surpreendida pela falha do microfone, que
prejudicaria o início de sua primeira música. Isso poderia ser o começo do fim
de um concerto desse nível para qualquer vocalista de primeira viagem. Mas não
foi o caso de Pascuala. Sem se avexar, acionou sua versatilidade artística e
prosseguiu cantando e dançando, mesmo no silêncio do som. Avançou mais próximo
dos limites do palco, encenando uns passos de dança. A recompensa veio com a
resposta com palmas ritmadas, em uma sintonia que se estabeleceria uma parceria
envolvente, que começaria a ruir as fronteiras invisíveis, geralmente rígidas,
entre os artistas e seu público; segundos suficientes que a musicista precisava
para a equipe técnica solucionar o problema.
Normalizado esse ruído inicial, seria o idioma como outra
barreira comum ainda existente entre a maioria dos brasileiros e os outros
povos latino-americanos. Seria - senão fosse a performance interativa do grupo
e o ritmo informal e contagiante com que Pascuala se expressava, combinando
dosadamente as melodia do acordeon, do teclado, da dança, sempre temperados com
um castelhano simpático e diversos recursos cênicos - que, se não substituem,
pelo menos compensam as limitações do domínio do espanhol pelos portoalegrenses
presentes.
O mais impactante e ousada quebra de barreiras, que
determinou de vez uma ligação energética entre a Pascuala e sua banda com os
presentes, todavia, foi o destaque dado pela vocalista para que um pequeno
grupo de jovens, que ensaiavam uns passos entre o palco e a primeira fileira de
cadeiras. Ao perceber a empolgação dessa turma, Pascuale convidou toda a
platéia a dançar, conforme desejassem, em seu lugar, ou mesmo subindo ao palco,
na medida que desse; e ante à um certo
acanhamento da maioria do público, a cantora voltou-se para o pequeno grupo e
convocou: “Chicas, vengam!”.
Foi a senha que bastava para cerca de 15 pessoas, já de
ambos os sexos, subirem e estenderem pelo palco. O grupo acompanhava as
performances de Pascuale, cada um sob os seus limites de mobilidade e de conhecimento
dos vários ritmos em cena, dançava entre si e interagia com a cantora,
reconfigurando plasticamente a apresentação, a partir de uma nova dinâmica e
energia, em um misto de espetáculo e experimentação e celebração. Assim foi,
mais ou menos a noite de Pascuale Ilabada y fauna em Porto Alegre, encerrando
esta última edição de 2018 do Unimúsica.

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