domingo, 16 de dezembro de 2018

Pascuala y Fauna in fuego em Porto Alegre


Foto: Divulgação/Unimusica-UFRGS
O show de Pascuala y Fauna, realizado no Salão de Atos da U, niversidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs)na noite desta quinta-feira (13), já seria marcante pelas qualidades versáteis da vocalista e o estilo irreverente dessa banda chilena (....) mas o show conseguiu superar as expectativas pela força das circunstancias, isto é, da forma criativa e empática com que os músicos exploraram o ambiente  e interagiram com a platéia e no drible às formalidades,  convocando o público e superando obstáculos de linguagem e de tecnologia.

Já na abertura do show com os 1.200 lugares do amplo salão já quase lotados, Pascuala foi surpreendida pela falha do microfone, que prejudicaria o início de sua primeira música. Isso poderia ser o começo do fim de um concerto desse nível para qualquer vocalista de primeira viagem. Mas não foi o caso de Pascuala. Sem se avexar, acionou sua versatilidade artística e prosseguiu cantando e dançando, mesmo no silêncio do som. Avançou mais próximo dos limites do palco, encenando uns passos de dança. A recompensa veio com a resposta com palmas ritmadas, em uma sintonia que se estabeleceria uma parceria envolvente, que começaria a ruir as fronteiras invisíveis, geralmente rígidas, entre os artistas e seu público; segundos suficientes que a musicista precisava para a equipe técnica solucionar o problema.

Normalizado esse ruído inicial, seria o idioma como outra barreira comum ainda existente entre a maioria dos brasileiros e os outros povos latino-americanos. Seria - senão fosse a performance interativa do grupo e o ritmo informal e contagiante com que Pascuala se expressava, combinando dosadamente as melodia do acordeon, do teclado, da dança, sempre temperados com um castelhano simpático e diversos recursos cênicos - que, se não substituem, pelo menos compensam as limitações do domínio do espanhol pelos portoalegrenses presentes.

O mais impactante e ousada quebra de barreiras, que determinou de vez uma ligação energética entre a Pascuala e sua banda com os presentes, todavia, foi o destaque dado pela vocalista para que um pequeno grupo de jovens, que ensaiavam uns passos entre o palco e a primeira fileira de cadeiras. Ao perceber a empolgação dessa turma, Pascuale convidou toda a platéia a dançar, conforme desejassem, em seu lugar, ou mesmo subindo ao palco, na medida que desse; e ante  à um certo acanhamento da maioria do público, a cantora voltou-se para o pequeno grupo e convocou: “Chicas, vengam!”.

Foi a senha que bastava para cerca de 15 pessoas, já de ambos os sexos, subirem e estenderem pelo palco. O grupo acompanhava as performances de Pascuale, cada um sob os seus limites de mobilidade e de conhecimento dos vários ritmos em cena, dançava entre si e interagia com a cantora, reconfigurando plasticamente a apresentação, a partir de uma nova dinâmica e energia, em um misto de espetáculo e experimentação e celebração. Assim foi, mais ou menos a noite de Pascuale Ilabada y fauna em Porto Alegre, encerrando esta última edição de 2018 do Unimúsica.

Nenhum comentário: