Reconheço o marca de Lobão
na música brasileira, e por questão de equilíbrio, é preciso observar que
também salta aos olhos a sua tendência direitista, travestida de liberal.
Juremir tem o direito de dar sua opinião. E os leitores é que vão julgar o nível
de fundamento. De minha parte, em qualquer hipótese, considero esse debate
salutar. Acredito que o contexto de uma obra - incluindo coerências e
contradições de seu autor - também nutre o leitor, para além das palavras
impressas. E isso vale para ambos escritores / cronistas em suas respectivas
linguagens.
Foto e Texto reproduzido do Círculo de Estudos Políticos
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O drama pelo retorno dos corintianos presos na Bolívia há alguns meses rende um bom gancho para a mídia brasileira dar alguma atenção ao caso dos cinco anti-terroristas presos há 15 anos nos EUA por investigar naquele País atos de sabotagem contra Cuba, "Os últimos soldados da Guerra Fria", segundo F. Morais.
Foto e Texto reproduzido do Círculo de Estudos Políticos
Artigo de Juremir Machado, publicado no Correio do Povo
Entrevistamos Lobão na “Esfera Pública”.Li o livro dele.É a
coisa mais idiota de todos os tempos.Ganha um brinde quem souber citar,sem
recorrer ao Google e sem ter de pensar muito qual é a grande contribuição de
Lobão para a música brasileira.Qual a música que Lobão que alguém canta quando
está feliz?Ou quando está triste?Ou quando sente saudade de casa?Ou quando quer
mandar tudo para i inferno?Ou quando se sente no paraíso?Ganha outro brinde
quem souber quem é Lobão. O artista vendeu 150 mil exemplares da sua
autobiografia, que poderia resumir a uma linha:uma mala.Inegavelmente Lobão é
bom de provocação barata.Ele está com novo livro na praça:”Manifesto do Nada na
Terra do Nunca”.O nada é assumidamente o alter-ego do autor.Yes.
Bom malandro, ele transformou a crítica em marketing pessoal
de antecipação. ”Quando aparece um ofendido que se acha no direito de vir me
inquirindo com aquela famosa pergunta: “Quem é você”?”eu respondo: Eu sou o
Nada,drogado,decadente,matricida,epilético,reacionário,roqueiro.E como Nada,eu
vou contar para vocês a história da Terra di Nunca,o Brasil-Peter Pan que se
recusa a crescer.”Pouco sei sobre a pertinência da maioria desses
qualificativos em relação a Lobão.Fico co o Nada.Mas não por sentir ofendido ou
por querer agredi-lo.Apenas como uma constatação.Eu também sou nada.Ou menos
que nada.Gostei da sinceridade e da lucidez do autor nos capítulos “O
Reacionário”e “Confesso a vocês:Eu sou uma besta quadrada”.Pouco tenho contra
os reacionários.Eu também sou um.E também uma boa besta.Retangular.
Qual o problema então?Lobão dispara contra a Semana de Arte
Moderna de 1922. Afirma que a “antropofagia” não passou de nacionalismo. Tem
razão. Só que isso não é novidade. Mais banal ainda é dizer que a Semana de
Arte Moderna moldou o pensamento e manifestações culturais brasileiros como
tropicalismo.
Lobão detona Roberto Carlos a quem chama de uma múmia
“deprimida”.Pode ser.O único problema é que Lobão não serve para lustrar o
mocassim dessa múmia responsável por dezenas de canções que povoam todo o
imaginário brasileiro,algumas de extremo bom gosto.Num capítulo que parece ter
sido escrito por um adolescente trancado no banheiro,”Vamos assassinar a
presidenta da República”,:Lobão chama Dilma Rousseff de torturadora.O cérebro
de Lobão é inescrutável.O texto dele consegue obscurecer tudo que aborda.O
senso comum é a sua justificativa para tudo.
Segundo Nada Lobão, os Racionais Mcs são o “braço armado do
PT”.não duvido.O “escritor”garante ter lido do marxista Slavov Zizek a Olavo de
Carvalho.A inspiração vem do último. Comutado atirador amargurado. Lobão
sente-se perseguido por aqueles que gostaria de silenciar.”Quem ousa tecer
algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba
sofrendo violências morais e psicológicas,sempre no intuito de eliminar o
interlocutor…É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a
crescer”.Roqueiro reacionário não dá.Lobão quer detonar o “intelectual de
esquerda”com ondas de clichês do coronel Ustra,mas sem se assumir como mala
direita.Sai do armário,Lobão
CARTA ABERTA A JUREMIR MACHADO – Lobão
Caro Juremir,
depois de ler o seu ataque à minha pessoa na sua coluna no
Jornal gaúcho “Correio do Povo,”fico obrigado a respondê-lo através dessa carta
para maiores esclarecimentos,senão ao senhor,pelo menos aos seus leitores e a
quem interessar possa.Vamos por itens:
1- Já que começou ressaltando que fui entrevistado no seu
programa “Esfera Pública”, poderia arrematar também que fui sumariamente
retirado do ar.
2- Quando afirma peremptoriamente ter lido o livro, das
duas, uma: Ou mente descaradamente, ou, se o leu (o que,nesse caso, é tão grave
quanto),tem sérios problemas cognitivos ,ou pior ainda, um profundo desvio de
caráter.
3- Recorrer a essa pouco enobrecedora mania de tentar
despotencializar o meu discurso através de uma tática torpe em desfazer o meus
méritos reais e dissimular ignorar a real importância da minha carreira musical
chega a ser ingênuo e,com todo o respeito, de uma imbecilidade comprometedora.
Se por acaso o senhor tem vivido aqui no Brasil nos últimos
30 anos sem perceber a minha presença no imaginário coletivo nacional nem a
minha contribuição para a música popular brasileira,posso lhe refrescar a
memória,muito embora, sendo bastante constrangedor para qualquer pessoa que
tenha um nível médio de informação e no seu caso específico,para um jornalista
de razoável credibilidade, jactar-se de ignorar uma trajetória de um compositor
que fez canções como,Me Chama ,Corações Psicodélicos,Essa Noite
Não,Revanche,Noite e Dia,Vida Bandida,Vida Louca Vida,Rádio Blá,Chorando no
Campo,A Vida é Doce,Canos Silenciosos,Por Tudo que For e outra tantas mais é
assinar atestado de analfabetismo musical ou exibição de pura má fé.
4- Resumir “em uma linha: uma mala” uma autobiografia de
quase 600 páginas de indubitável complexidade é realmente lamentável para
qualquer pessoa que honre sua dignidade pessoal quanto mais tendo a
responsabilidade de assinar uma coluna em um jornal de grande circulação.
5- Querer consubstacializar um significado próprio de “Nada”
para me “nadificar”é uma medida muito pouco inteligente para não dizer vulgar e
preconceituosa.Está claro que o senhor fez questão de dar umas pinceladas no
texto e se ater à orelha e com isso ,se expor ao vexame público,uma vês que o
livro é um fenômeno editorial e contará com centenas de milhares de leitores
atentos.
6- Acredito que seja um mal negócio para o senhor projetar a
sua própria malandragem e seu “teto moral” de pouquíssima envergadura em quem
,(e muito pelo contrário!)em momento algum usou desse expediente pouco
recomendável,principalmente quando a própria malandragem é um dos alvos
críticos do livro.
7- Se a carapuça de Nada no sentido de coisa alguma e
dereacionário lhe servem, fique sabendo que a mim, não me servem de modo algum.
No seu afã de querer aniquilar a validade do meu discurso, deixou de perceber a
ironia do meu texto e com isso,escapar-lhe o real significado.
8- Reduzir toda a complexidade do meu ensaio sobre a
antropofagia afirmando “não passar de nacionalismo”, ou ter moldado nosso
pensamento é de um simplismo galopante.O último capítulo do livro é uma
mergulho e uma invasão poética no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade e
uma abordagem, se não quiser constatar a habilidade literária,o humor e a
pertinência,é,no mínimo, inédita na história da literatura brasileira.
9- Retomar viciosamente a maneira reducionista e simplória
em adjetivar minha crítica como ataques pessoais ao Roberto Carlos é uma
atitude tacanha e distorcedora do significado real do texto.Se teve tempo em
reparar nas partes sardônicas,parece que se absteve de prestar atenção aos meus
elogios e a minha constatação de que Roberto Carlos foi um herói na minha
formação.Do mesma forma isso serve aos Racionais MCs,quando deixo claro minha
admiração e sua influência em canções como El Desdichado 2.Mas isso não parece
ser muito conveniente para a sua construção delirante de uma falsa realidade
10.-Outra coisa que gostaria muito de saber é aonde o senhor
leu qualquer alusão que fosse da Dilma Rousseff ser uma torturadora no livro.O
senhor tomou um ácido?O capítulo em que cito a presidente é de um extremo
cuidado em não condenar ninguém e mesmo sendo muito duro com a presidente e a
Comissão Naciona da Verdade, em nenhum momento suponho sequer a Dilma ter sido
uma torturadora e sim uma terrorista.
11-Se referir à minha pessoa como “Nada Lobão” ou
“escritor”é de uma deselegância um tanto histérica e um desrespeito gratuito e
grosseiro que só maculam sua credibilidade.
12-Gostaria de lembrar ao jornalista Juremir que reacionário
seria aquele que ,de forma irracional,iracunda e precipitada comete uma
ejaculação precoce intelectual em cultivar o ódio através de seus
inconfessáveis recalques e impotências transformando-os em julgamentos
desleais,desonestos e falsos.
13-E para finalizar, chego à conclusão que o senhor está
exatamente no escopo do intelectual(óide) de esquerda de que tanto falo no
livro,o tal campeão mundial de punheta de pau mole, e caiu em todas as
armadilhas que os incautos e os malandros-agulha inevitavelmente caem.É como eu
mesmo advirto em um dos versos do poema do prólogo:”É subestimando o inimigo
que se perdem as guerras e,desde já agradeço vossa desatenção”.Post pescado via
Euclides Bitelo.
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O drama pelo retorno dos corintianos presos na Bolívia há alguns meses rende um bom gancho para a mídia brasileira dar alguma atenção ao caso dos cinco anti-terroristas presos há 15 anos nos EUA por investigar naquele País atos de sabotagem contra Cuba, "Os últimos soldados da Guerra Fria", segundo F. Morais.

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