segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sobre dramas e suas dimensões

Reconheço o marca de Lobão na música brasileira, e por questão de equilíbrio, é preciso observar que também salta aos olhos a sua tendência direitista, travestida de liberal. Juremir tem o direito de dar sua opinião. E os leitores é que vão julgar o nível de fundamento. De minha parte, em qualquer hipótese, considero esse debate salutar. Acredito que o contexto de uma obra - incluindo coerências e contradições de seu autor - também nutre o leitor, para além das palavras impressas. E isso vale para ambos escritores / cronistas em suas respectivas linguagens.

Foto e Texto reproduzido do Círculo de Estudos Políticos



Artigo de Juremir Machado, publicado no Correio do Povo

Entrevistamos Lobão na “Esfera Pública”.Li o livro dele.É a coisa mais idiota de todos os tempos.Ganha um brinde quem souber citar,sem recorrer ao Google e sem ter de pensar muito qual é a grande contribuição de Lobão para a música brasileira.Qual a música que Lobão que alguém canta quando está feliz?Ou quando está triste?Ou quando sente saudade de casa?Ou quando quer mandar tudo para i inferno?Ou quando se sente no paraíso?Ganha outro brinde quem souber quem é Lobão. O artista vendeu 150 mil exemplares da sua autobiografia, que poderia resumir a uma linha:uma mala.Inegavelmente Lobão é bom de provocação barata.Ele está com novo livro na praça:”Manifesto do Nada na Terra do Nunca”.O nada é assumidamente o alter-ego do autor.Yes.

Bom malandro, ele transformou a crítica em marketing pessoal de antecipação. ”Quando aparece um ofendido que se acha no direito de vir me inquirindo com aquela famosa pergunta: “Quem é você”?”eu respondo: Eu sou o Nada,drogado,decadente,matricida,epilético,reacionário,roqueiro.E como Nada,eu vou contar para vocês a história da Terra di Nunca,o Brasil-Peter Pan que se recusa a crescer.”Pouco sei sobre a pertinência da maioria desses qualificativos em relação a Lobão.Fico co o Nada.Mas não por sentir ofendido ou por querer agredi-lo.Apenas como uma constatação.Eu também sou nada.Ou menos que nada.Gostei da sinceridade e da lucidez do autor nos capítulos “O Reacionário”e “Confesso a vocês:Eu sou uma besta quadrada”.Pouco tenho contra os reacionários.Eu também sou um.E também uma boa besta.Retangular.

Qual o problema então?Lobão dispara contra a Semana de Arte Moderna de 1922. Afirma que a “antropofagia” não passou de nacionalismo. Tem razão. Só que isso não é novidade. Mais banal ainda é dizer que a Semana de Arte Moderna moldou o pensamento e manifestações culturais brasileiros como tropicalismo.
Lobão detona Roberto Carlos a quem chama de uma múmia “deprimida”.Pode ser.O único problema é que Lobão não serve para lustrar o mocassim dessa múmia responsável por dezenas de canções que povoam todo o imaginário brasileiro,algumas de extremo bom gosto.Num capítulo que parece ter sido escrito por um adolescente trancado no banheiro,”Vamos assassinar a presidenta da República”,:Lobão chama Dilma Rousseff de torturadora.O cérebro de Lobão é inescrutável.O texto dele consegue obscurecer tudo que aborda.O senso comum é a sua justificativa para tudo.

Segundo Nada Lobão, os Racionais Mcs são o “braço armado do PT”.não duvido.O “escritor”garante ter lido do marxista Slavov Zizek a Olavo de Carvalho.A inspiração vem do último. Comutado atirador amargurado. Lobão sente-se perseguido por aqueles que gostaria de silenciar.”Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas,sempre no intuito de eliminar o interlocutor…É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer”.Roqueiro reacionário não dá.Lobão quer detonar o “intelectual de esquerda”com ondas de clichês do coronel Ustra,mas sem se assumir como mala direita.Sai do armário,Lobão

CARTA ABERTA A JUREMIR MACHADO – Lobão

Caro Juremir,
depois de ler o seu ataque à minha pessoa na sua coluna no Jornal gaúcho “Correio do Povo,”fico obrigado a respondê-lo através dessa carta para maiores esclarecimentos,senão ao senhor,pelo menos aos seus leitores e a quem interessar possa.Vamos por itens:

1- Já que começou ressaltando que fui entrevistado no seu programa “Esfera Pública”, poderia arrematar também que fui sumariamente retirado do ar.

2- Quando afirma peremptoriamente ter lido o livro, das duas, uma: Ou mente descaradamente, ou, se o leu (o que,nesse caso, é tão grave quanto),tem sérios problemas cognitivos ,ou pior ainda, um profundo desvio de caráter.

3- Recorrer a essa pouco enobrecedora mania de tentar despotencializar o meu discurso através de uma tática torpe em desfazer o meus méritos reais e dissimular ignorar a real importância da minha carreira musical chega a ser ingênuo e,com todo o respeito, de uma imbecilidade comprometedora.

Se por acaso o senhor tem vivido aqui no Brasil nos últimos 30 anos sem perceber a minha presença no imaginário coletivo nacional nem a minha contribuição para a música popular brasileira,posso lhe refrescar a memória,muito embora, sendo bastante constrangedor para qualquer pessoa que tenha um nível médio de informação e no seu caso específico,para um jornalista de razoável credibilidade, jactar-se de ignorar uma trajetória de um compositor que fez canções como,Me Chama ,Corações Psicodélicos,Essa Noite Não,Revanche,Noite e Dia,Vida Bandida,Vida Louca Vida,Rádio Blá,Chorando no Campo,A Vida é Doce,Canos Silenciosos,Por Tudo que For e outra tantas mais é assinar atestado de analfabetismo musical ou exibição de pura má fé.

4- Resumir “em uma linha: uma mala” uma autobiografia de quase 600 páginas de indubitável complexidade é realmente lamentável para qualquer pessoa que honre sua dignidade pessoal quanto mais tendo a responsabilidade de assinar uma coluna em um jornal de grande circulação.

5- Querer consubstacializar um significado próprio de “Nada” para me “nadificar”é uma medida muito pouco inteligente para não dizer vulgar e preconceituosa.Está claro que o senhor fez questão de dar umas pinceladas no texto e se ater à orelha e com isso ,se expor ao vexame público,uma vês que o livro é um fenômeno editorial e contará com centenas de milhares de leitores atentos.

6- Acredito que seja um mal negócio para o senhor projetar a sua própria malandragem e seu “teto moral” de pouquíssima envergadura em quem ,(e muito pelo contrário!)em momento algum usou desse expediente pouco recomendável,principalmente quando a própria malandragem é um dos alvos críticos do livro.

7- Se a carapuça de Nada no sentido de coisa alguma e dereacionário lhe servem, fique sabendo que a mim, não me servem de modo algum. No seu afã de querer aniquilar a validade do meu discurso, deixou de perceber a ironia do meu texto e com isso,escapar-lhe o real significado.

8- Reduzir toda a complexidade do meu ensaio sobre a antropofagia afirmando “não passar de nacionalismo”, ou ter moldado nosso pensamento é de um simplismo galopante.O último capítulo do livro é uma mergulho e uma invasão poética no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade e uma abordagem, se não quiser constatar a habilidade literária,o humor e a pertinência,é,no mínimo, inédita na história da literatura brasileira.

9- Retomar viciosamente a maneira reducionista e simplória em adjetivar minha crítica como ataques pessoais ao Roberto Carlos é uma atitude tacanha e distorcedora do significado real do texto.Se teve tempo em reparar nas partes sardônicas,parece que se absteve de prestar atenção aos meus elogios e a minha constatação de que Roberto Carlos foi um herói na minha formação.Do mesma forma isso serve aos Racionais MCs,quando deixo claro minha admiração e sua influência em canções como El Desdichado 2.Mas isso não parece ser muito conveniente para a sua construção delirante de uma falsa realidade

10.-Outra coisa que gostaria muito de saber é aonde o senhor leu qualquer alusão que fosse da Dilma Rousseff ser uma torturadora no livro.O senhor tomou um ácido?O capítulo em que cito a presidente é de um extremo cuidado em não condenar ninguém e mesmo sendo muito duro com a presidente e a Comissão Naciona da Verdade, em nenhum momento suponho sequer a Dilma ter sido uma torturadora e sim uma terrorista.

11-Se referir à minha pessoa como “Nada Lobão” ou “escritor”é de uma deselegância um tanto histérica e um desrespeito gratuito e grosseiro que só maculam sua credibilidade.

12-Gostaria de lembrar ao jornalista Juremir que reacionário seria aquele que ,de forma irracional,iracunda e precipitada comete uma ejaculação precoce intelectual em cultivar o ódio através de seus inconfessáveis recalques e impotências transformando-os em julgamentos desleais,desonestos e falsos.


13-E para finalizar, chego à conclusão que o senhor está exatamente no escopo do intelectual(óide) de esquerda de que tanto falo no livro,o tal campeão mundial de punheta de pau mole, e caiu em todas as armadilhas que os incautos e os malandros-agulha inevitavelmente caem.É como eu mesmo advirto em um dos versos do poema do prólogo:”É subestimando o inimigo que se perdem as guerras e,desde já agradeço vossa desatenção”.Post pescado via Euclides Bitelo.

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O drama pelo retorno dos corintianos presos na Bolívia há alguns meses rende um bom gancho para a mídia brasileira dar alguma atenção ao caso dos cinco anti-terroristas presos há 15 anos nos EUA por investigar naquele País atos de sabotagem contra Cuba, "Os últimos soldados da Guerra Fria", segundo F. Morais.

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