terça-feira, 13 de dezembro de 2016

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - Com Goethe, mergulhando no micro-organismo Mosanto


Sebastião Pinheiro*
O amigo e colega A. Piaia pauta-me sobre o merchandising da Monsanto, "os micro-organismos no futuro", relatado como ciência para incautos, subservientes ou ignorantes. Eu não pude atender imediatamente, pois estava lendo R. Steiner, o que me obrigou a ler " Teoria da natureza " de J. W. Von Goethe (1749-1832) e, por sorte, já tinha lido " Kosmos " De Von Humboldt (1767-1835).

Mas, me Obrigou a ir até Baruch Spinoza (1632-1677) em " Tratado da reforma do entendimento", e depois" ética demonstrada pela ordem geométrico", tenho horror a coisas místicas ou ocultas misturadas com espiritualidade, em que Agradeço muito a desidério Erasmo, que viveu em Rotterdam (1466-1536), e não gostava de ninguém. É com este espírito que atendo ao amigo em mister tão complexo.

- a faculdade, doente, doutrina alunos para tecnologias no mercado e cria a elite de post-graus para o que as transnacionais estão criando para as duas próximas décadas, e que deve ser consumida, sem solução de continuidade, na periferia. Então, alguns "Papers" avançados devem chegar para revoltar o marasmo e indicar existir uma alternativa ou luz na escuridão.

A tarefa do amigo e colega é difícil, pois eu estava concretizando a construção de minha compreensão sobre "Sideróforos camponeses", e tenho de voltar, não à leituras medievais, ou renascentistas, mas à pré-História da evolução da vida, onde acha-se a folha Rica em taninos, por acção das ferric-Sintetasas, que desencadearam os pré-Sideróforos, e que, nos animais, fez surgir as hemoglobinas como outros antigos sideróforos, que perdeu a função, mas manteve a sua acção não só no animal, mas muito antes nas leguminosas (Brady)-Rhizobium e actinorhizal por frankia SP. Nas fagales, casuarináceas e outras.

Esse racionamento não é simples, e obrigado aos meus professores, me permite diferenciar os microrganismos selvagens dos de laboratórios, criados de forma dirigida para substituir, com a mesma finalidade, mas mais lucros, aos agrotóxicos químicos, como o questionado por Angelo.

Posso garantir que os microrganismos de laboratórios são mais perigosos que os agrotóxicos químicos hoje existentes, pelos efeitos "Sóliton-Holográfico sobre o DNA". Ainda hoje, vemos os mesmos professores que adoravam os pesticidas idiotas (Foto) se transformarem em fanáticos consumidores de microrganismos, sem capacidade dedutiva sobre a diferença entre "o selvagem" do "de laboratório ".

Dão-se conta porque liguei para Erasmo de roterdão? Com ele, vocês irão se dar conta do benéfico que é um e o nefasto que é o outro. Mas onde a corrupção é instrumento de política pública, isso continuará a ser impossível, igualzinho na época da inquisição, com as mesmas torturas... ficou por aqui, e aproveito para apresentar a vocês, um trecho que deveria ser obrigatório antes da primeira aula de biologia No Ensino primário, secundário, médio, graduação e pós-graus, para evitar a quem servem (Foto) os doutores que hoje assustam quando abrem a boca sem o ponto eletrônico no ouvido, que funciona como o seu espírito.



A natureza, por Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)

Natureza! Por ela, estamos cercados e embrulhados, incapazes de sair dela e incapazes de penetrar mais fundo nele. Sem ser requerida, e sem avisar, nos arrasta no turbilhão da sua dança e se mexe com nós até que, cansados, caímos rendidos em seus braços. Acredite, eternamente novas formas; o que aqui está, antes não tinha ainda sido jamais; o que foi não volta a ser de novo. Tudo é novo e, no entanto, sempre antigo. Vivemos em seu seio e lhe somos estranhos. Fala continuamente conosco e não nos revela o seu segredo. Agimos constantemente sobre ela e, no entanto, não temos nenhum poder sobre ela. Parece ter orientado tudo sobre a individualidade e nada lhe importam os indivíduos. Construa sempre e sempre destrói, e a sua oficina é inacessível.

Vive toda nos seus filhos, mas a mãe onde está? É a artista única que, desde a matéria mais simples, alcança os maiores contrastes e sem aparência de esforço eleva-se a máxima perfeição - a mais rigorosa determinação, sempre impregnada de uma certa delicadeza -. Cada uma de suas obras tem Uma essência própria, cada uma de suas manifestações tem o conceito mais isolado e, no entanto, formam um todo único.

Ela recita um drama: Não sabemos se ela mesma o prevê e, no entanto, o recita para nós, telespectadores sentados num canto.

Nela, há vida eterna, um eterno devir, um perpétuo movimento e, no entanto, não dá passos para frente. Transforma-se eternamente e não há nela nem um momento de quietude. O parar não tem significado para ela, e a sua maldição pesa sobre a imobilidade. É forte. Seu passo é ponderado, suas exceções raras, as suas leis imutáveis. Já pensou e medita continuamente, mas não como um homem, mas como a natureza. Foi reservado um significado próprio omniabarcante, que ninguém pode captar.

Os homens estão todos nela e ela está em todos. Com todos, a natureza realiza um amigável jogo e se alegra tanto mais quanto mais você a vence. Com muitos, seu jogo é tão secreto que acabam antes de se darem conta dele.

Também o mais desnaturado é natureza, também o filisteísmo mais prosaico tem algo do seu gênio. Quem não a vê em todo lugar, não a vê em lado nenhum, de forma justa.

Ama a si mesma e tem fixos eternamente em si inúmeras olhos e corações. Separou-se em si mesma para se beneficiar. Faz nascer sempre outras criaturas que a beneficiem no insaciável desejo de se comunicar.

Se compraz na ilusão, e quem destrói esta ilusão em si e nos outros é punido pela natureza como pelo tirano mais severo. A quem a segue com confiança, o estreita como o seu filho contra o seu coração.

Seus filhos são inúmeros. Com nenhum deles, no geral, é muito correta, mas tem prediletos com os que se retirou muito e aos que sacrifica muito. O que é grande o tem sob sua proteção.

Faz brotar suas criaturas do nada, e não diz nem de onde vem, nem para onde vão. Só devem correr; ela sabe o caminho.

Tem poucos molas, mas nunca estão inertes, mas sempre que operam, multiformes sempre.

O seu drama é sempre novo, pois acredite, sempre novos espectadores. A vida é a sua descoberta mais belo, e a morte o seu estratagema para ter mais vida.

Envolve o homem no escuro e empurra-o para sempre para a luz. O torna dependente da terra, desastrada e grave, mas sempre de novo o faz ficar alerta. Levanta necessidades porque gosta do movimento; a maravilha é que obtenha tanto movimento com recursos tão limitados.

Cada necessidade é um benefício: tão logo satisfeita e tão cedo de novo volta a surgir. Constitui uma nova fonte de prazer fazer que isto dê de si o máximo, mas logo a natureza restaura o equilíbrio. Em cada momento seu olhar está estendida para o mais distante e em cada momento está na meta.

É a vaidade, mas não para nós, para quem se torna a coisa mais importante.

Deixa que as crianças se divirtam com ela, que os tolos fiquem acima dela, e que milhares de pessoas se darem de cara contra ela sem notar nada; mas de todos recebe sua alegria e com todos faz as contas.

A suas leis se obedece mesmo quando nos opomos a elas; se age com a natureza também quando quer agir contra ela.

Tudo o que dá o transforma em benefício próprio, pois ele faz isso de antemão indispensável. Induz a que se fantasie e foge para que nunca esteja satisfeito com ela. Não tem linguagem nem discurso, mas cria línguas e corações através dos quais sente e fala. A coroa é o amor. Só através do amor nos aproximamos dela. Cava abismos entre todos os seres, mas todos aspiram a se reunir. O isolou tudo, para tudo.

Com um par de copos da bebida do amor, recompensa o tormento de toda uma vida. É tudo. Se premia e pune ela mesma. Se alegra e se atormenta. Ela é dura e doce, gentil e horrível, fraco e onipotente. Tudo está sempre nela. Não conhece nem passado nem futuro. O presente é a sua eternidade. É benevolente. E eu a louvo com todas as suas obras. É sensata e silenciosa. Não lhe liga nenhuma explicação, nem dá nenhum presente se não é de forma voluntária. Ela é esperta, mas com bons fins, e o melhor é não perceber a sua astúcia. É um tudo, mas nunca está completa. O que faz hoje, pode fazê-lo sempre. A cada um lhe aparece de uma forma singular. Esconde-se sob mil nomes e palavras, mas é sempre a mesma. Assim como me trouxe à cena, vai cortar minha cabeça fora. Mas eu confio nela. Pode fazer comigo o que quiser. Não odiar sua própria obra. Eu não falo eu da natureza. Não, ela já disse o que é verdadeiro e o que é falso. Tudo é culpa dele, tudo é mérito seu (Foto).


_________________________
*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor

domingo, 11 de dezembro de 2016

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - Pelo retorno a uma alimentação da Natureza


Sebastião Pinheiro*

O amigo Dr. Joel filártiga no Facebook (06 / XII / 16) fez-me lembrar: no final da década de noventa o baixinho menem mandava na Argentina e o "Acadêmico" Cardoso no Brasil, e a novidade eram as sementes transgénicas impostas por "colmeia" Clinton, apoiadas pelos organismos multilaterais de finanças e tecnologias. O publicado pelo doutor sobre a escola que leva o nome de seu filho " Joelito "envenenada pela delta pine com sementes de algodão" vencidas " (sem poder germinativa), tratadas com uma bactéria geneticamente alterada e seis inseticidas e fungicidas " me fez reviver coisas Felizes, tristes e com medo.

Em 11 de dezembro de 98, estive em Basiléia, na sede de uma entidade internacional de trabalhadores, na indústria da alimentação e agricultura, com quem estava trabalhando somente por ideologia social e política. A Diretora Inglesa ficou muito chateada quando me perguntou sobre a Argentina e o Brasil, no caminho liberal e eu, sarcástico, disse-lhe que em três anos ela ia ter sua resposta sobre a catástrofe. Eu errei por oito dias, pois o dia 19 de dezembro de 2001 Argentina conheceu o caos.

Pois em 19 de março de 99, fui chamado de urgência ao Paraguai para o atentado terrorista de Delta Pine, em Canto-í, e Canto Florido, no departamento de Paraguarí. Lá, conheci Ana Segovia, uma das pessoas que abraçou a população e lutou pela causa, correndo riscos de vida. Ela migrou para Espanha, onde vive agora. Sim, no mundo há muita estenderá " (Rupert Sheldrake).

Ao chegar em Assunção, fomos direto para o local do cancele tóxico de 600 toneladas de sementes, envenenadas por ordem do ing. Agr. Jones e Eric Lorenz, cidadãos norte-Americanos, e corrupção de seus subordinados nacionais. As pilhas de sementes, que cuidadosamente foram removidas de seus sacos para impedir a identificação, estavam por toda parte, e muito perto de uma escola com 276 alunos. Cauteloso, sem os conhecidos comportamentos temperamentais ou passionais latino-americanos, enchi uma garrafa de água mineral, lavada várias vezes, com as mesmas sementes envenenadas. Eu ia voltar imediatamente para trabalha nelas, e poder apresentar o meu documento para a entidade.

À noite, fomos jantar e conheci uma das maravilhas da cultura guarani o "Chipa" um pão de mandioca feito em uma frigideira com queijo. No regresso ao hotel, fui a uma manifestação, pois o partido colorado tinha convenção para seus candidatos à presidência da República, uma festa linda como todas as que existem no continente, mas sem futuro. Na madrugada, eu ia sair para o meu voo e não é bom passar na alfândega com material subversivo (amostras de sementes envenenadas), algo não muito difícil para quem viveu os anos 70 na Argentina e Brasil e conheceu o que foi a guerra fria na Europa.

Passei fácil, mas ficamos dentro do avião brasileiro mais de uma hora retidos, sem saber o porquê. Finalmente, o avião descolou e o comandante avisou que a retenção tinha sido pelo assassinado do candidato à presidência e vice-Presidente do Paraguai Luís Maria Argaña. Fiquei com medo, mas depois desembarcamos em Foz do Iguaçu.

Em sementes de cor azul tinha sem um conjunto de dois inseticidas fosforados, o mais perigoso deles o metamidophos, que desdoblase em t.e.p.p (TETRA ETIL PYRO PHOSPHATE) arma de guerra química além do bacillus subtilis patenteado, além de três fungicidas.

Em menos de 48 horas, encaminhei o documento para as providências. O livro de Carlos Amorin "sementes da morte" é rico em detalhes sobre o que aconteceu depois.

Hoje, o Dr. Filártiga diz :

- O ex-Ministro da Agricultura, Pedro Lino Morel Servian, em cumplicidade com o Ministro do Interior naquele tempo, Julio Cesar Fanego Arellano. Esta semente envenenada com agrotóxicos foi a causa do falecimento de três filhos e a Sra. do Secretário do meio ambiente dessa comunidade, Sr. João Paulo Baez. Produziu uma epidemia de casos de câncer e de morte de mais de uma centena de pessoas no período de mais de três décadas.

Não há tempo para ter vergonha. Sem ofender ninguém, eu tinha certeza que isso ia acontecer, e antecipei a quem com que colaboravam, e não gostaram nem um pouco. Eu tinha a minha prioridade, era enfrentar o "Contrabando oficial" de sementes transgénicas, desde a base da Monsanto-Nidera, e as elites brasileiras faziam de conta ser contrárias, e eu precisava entender o que estava sendo executado sobre o estado nacional e a ordem mundial, pois todos os Protocolos, convenções e tratados estavam sendo quebrados por uma empresa, com a mesma crueldade que a de Deltapine no Paraguai.

Dois meses depois, em Salvador, o Ministério Público Federal organizou um debate sobre sementes transgénicas com a participação da Embrapa, universidades e movimentos sociais, e eu compareci, por intervenção das colegas Lucedalva e Maria Higina. As pessoas da investigação enfeitavam exultavam, mas ficou muito chateada ao gritar que a biotecnologia era a mais antiga das tecnologias, e nada nova.

Mas algo que me deixou muito surpreso foi a presença no conclave do presidente da Associação Brasileira da indústria de alimentos (Abia), que teve uma confusão com o prof. Dr. R. O. Nodari, um dos poucos nacionais contrários aos desmandes com os transgênicos. Atônito com a grosseria e agressividade contra o professor universitário, passei a construir o meu entender pela razão da presença do lobby corporativo naquele recinto.

No Brasil, desde 11 de setembro de 1990, é o Código de Defesa do Consumidor que obriga os alimentos transgénicos a serem marcados. Toda e qualquer rótulo é a melhor forma de garantia de qualidade de produto, e sua identificação deve ser de interesse dos produtores e consumidores.

Já antes de Carral ou Suméria, superar a sazonalidade na produção de alimentos é procurada através da transformação e conservação, que fez nascer a indústria de alimentos.

É necessário salientar que o alimento humano, dia a dia, é menos encontrado em "a natureza " de von Goethe ou " Cosmos " De Von Humboldt, e cada vez mais no tempo " Ultra-Social " no espaço humano na natureza (Agricultura). Depois, o alimento é fruto do tempo "Ultra social" humano, naquele espaço natural, e a indústria de alimentos é a primeira indústria (Food Industry) da humanidade. Por isso, ela se autodefine na Wikipédia:

"a indústria alimentar é um complexo, um coletivo global de empresas diversas que abastecem a maioria dos alimentos consumidos pela população mundial. Só os agricultores de subsistência, os que sobrevivem com o que cultivam e os caçadores-coletores podem ser consideradas fora do alcance da indústria alimentar moderna e inclui:

Agricultura: Produção vegetal e criação de gado, e marisco; fabricação: Agroquímicos, construção agrícola, máquinas e insumos agrícolas, sementes, etc. Processamento de alimentos: Preparação de produtos frescos para o mercado e fabricação de produtos alimentícios preparados. Marketing: Promoção de produtos genéricos (por exemplo, painéis de leite), novos produtos, propagandas, campanhas de marketing, embalagens, relações públicas, etc.

Comércio por grosso e distribuição: Logística, transporte, armazenamento. Serviços na alimentação (que inclui catering); comestíveis, mercados de agricultores, mercados públicos e outros.

Regulamentação: Normas e regulamentos locais, regionais, nacionais e internacionais para a produção e venda de alimentos, incluindo a qualidade dos alimentos, a segurança alimentar, o marketing / publicidade e as actividades de lobby da indústria; Educação: Académica , consultoria, formação profissional, investigação e desenvolvimento: Tecnologia alimentar serviços financeiros: Crédito, seguros ".

Bem, não sobrou nada lá fora...

Por tudo o que disse acima, podemos compreender que a ideologia e dogmas da indústria de alimentos é ser hegemónica pelo seu poder em alterar a " Sazonalidade " e " regionalização " na produção de alimentos. Ela não sabe que não produz alimentos, somente os transforma, desvitalizando, parcial ou totalmente, uma vez que a produção será ad eternum, a transformação do sol em cadeias de carbono, nitrogênio, enxofre, hidrogênio, oxigênio, fósforo, silício e outros minerais que ela não tem Capacidade de fazer no tempo ultra social ou fora dél.

É impossível o sucesso de produto industrializado perante um natural fresco ou recém-colhido, mas seu valor aumenta de forma exponencial na ausência e controlado com habilidade pela propaganda pela exoticidad, que permite atingir outras latitudes. Leite em pó não substitui o leite humano dos escravos, nem leite materno. É fruto de uma política financeira, da mesma forma que as bananas, fruto natural valioso pela manipulação do final que excluísse a regra em um mundo onde mais de metade do que é produzido em campos é perdido pela transformação, manipulação e especulação financeira .

Com o fim da guerra fria, a política da fome perdeu discurso e hoje nos supermercados tem quase a mesma comida industrial para animais de estima que para pessoas, o que comprova a importância da atividade ultra social do biopoder camponês. Sem que tenhamos consciência que só comemos quatro cereais duas ou três tubérculos e dois ou três raízes e a fome oculta (hidden hunger) se esconde mais de ¾ partes da população mundial e ¼ tem obesidade doente e até mórbida e para ela

A Indústria de alimentos oferece suas pílulas de minerais de alta rentabilidade e para uma complementação nutricional culturas de single cell protein dos micróbios cultivados sobre águas negras ou servidos. Não fiquem nervosos, há orgânicas certificadas, são mais caras, é claro que são para os ricos.

Aqui terminamos com a contradição ideológica e dogmática da presença do presidente da Abia numa reunião contra as sementes transgénicas: pela primeira vez na sociedade industrial algo novo, mais tecnológico, científico: as sementes não eram destinadas aos mais ricos, nem Mais caras, muito pelo contrário, eram para ser distribuídas para os mais pobres e sem informação, contudo, produziam muito mais lucros, porque não podiam ser identificadas no rótulo, como dizia o Código de Defesa do Consumidor, o que foi alterado pela ação de um Congresso igual, ou pior, que os ex-Ministros criminosos citados pelo Dr. Filártiga.

O camponês que elaborava o chuño, hoje dia come "Cup noodles" - maruchan - e sardinhas acondicionadas pois perdeu o biopoder, mas a luta continua e continua zv.




_________________________
*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - “Nunca, antes, houve tanta informação e menos conhecimento”

Sebastião Pinheiro*

É saudável começar pelo princípio, Kobierzyce é uma cidade polonesa estabelecida após a derrota alemã em seu território, por Stálin ao avançar as fronteiras russas em aproximadamente 200 quilômetros sobre a Polônia e compensá-la com o terreno dos derrotados (Água e Sociedade retornam ao seu Espaço); Antes seu nome era Koberwitz (em Breslau, Baixa Silésia) e tornou-se famosa, pois ali em 1924 o filósofo croata Rudolf Steiner proferiu as dez leituras em um curso sobre Princípios Baseados na Ciência Espiritual para o Desenvolvimento da Agricultura, posteriormente denominado de Método Biológico-Dinâmico ou “Agricultura Biodinâmica”, agora transformado em livro.

A este curso realizado no castelo do Conde e Condessa de Kayserlingk (Foto) acorreram 111 intelectuais de seis países preocupados com os rumos da agricultura moderna estabelecida na Alemanha desde 1842 por obra e arte do Barão von Liebig, que já causava problemas à saúde.


Na introdução diz que: “Na época de transição do Kali Yuga (Era Escura, iniciada 3.101 a.C e culminada com a encarnação de Jesus Cristo e finda em 1899.) para a “Era da Luz”, não só está degenerando o desenvolvimento moral da humanidade em evolução, senão em conseqüência do que fez o humano com a terra e com o que está imediatamente sobre a mesma, está se encontra em rápido processo de degeneração, que atualmente está estabelecido estatisticamente e se comenta nas sociedades agrícolas, por exemplo, e ante a qual o humano está impotente. ”... No domingo de Pentecostes (19 de junho de 1924) houve o encerramento com uma função pública de Eurritmia (Forma harmoniosa buscando a beleza em compasso com o movimento para expressar os estados de animo que se transforma em meio de comunicação, Marie von Sivers) bastante concorrida. Opinamos, faltou levar a eurritmia para o solo através da saúde no solo.

O poder ocidental é pródigo, estabelece parâmetros e critérios, fora dos quais qualquer forma de questionamento ou contestação é desmoralizada pelo que questões espirituais na área tecnológica e cientifica são impedidas. Isso é mais marcante onde sabedoria, honestidade e humildade são vistas como defeito social.

Nos meus últimos sessenta anos de estudioso em agricultura sempre me preocupei em não permitir misturar aspectos místicos esotéricos com a luta contra o modelo de agricultura industrial periférico altamente corrupto, ignorante e estulto, principalmente pelo desconhecimento em química, física e biologia pelo conjunto de técnicos, acadêmicos e políticos.

Fui presenteado com o livro Curso sobre Agricultura Biológico Dinámica, de Rudolf Steiner por um colega mexicano e ofereço para copiar a quem estiver interessado. É leitura, releitura e estudo imperioso.

Muito do que aprendi no Colégio Agrícola, Faculdade de Agronomia, Florestal e Laboratórios de Química foram consolidações e sistematizações da sabedoria camponesa de minha família e comunidade. As novidades foram primeiramente filtradas antes de serem inseridas e acomodadas.

É difícil ler essa obra, mas obrigatória sua releitura primeiro por estarmos entre os cinco últimos piores países em educação, depois pela influência argentária do mundo atual.

Em agricultura o uso de química desmedida no solo vivo leva a alteração dos processos metabólicos e a densidade dos alimentos é alterada de forma tão notável que a medida de sua massa em água ou solução de água-álcool (densidade) demonstra sua má qualidade, pouca conservação e riscos para a saúde. O que deveria ser notável de forma simples é mantido na escuridão pelo interesses econômicos. O efeito da massa relativa (MR) e gravidade relativa (GR) no planeta tem a resultante das fases da Lua (MR 0,0123 e GR 0,166) sobre essas tecnologias impróprias.

No livro isso é tratado em forma exponencial ao relacionar as massas de: Mercúrio (rotação de 58 dias e 16 horas terrestres e translação de 87,97 dias recebendo 7 vezes mais luz que a Terra e MR 0,0553 e GR 0,378); Vênus (rotação de 243,01 dias terrestres e uma translação de 224,7 dias terrestres e MR 0,815, GR 0,907); Marte (translação de 686,98 dias terrestres, e a rotação dura 24 horas e 37 minutos e MR 0,107); Júpiter (translação de 11 anos e 315 dias terrestres, rotação de 9 horas e 56 minutos e MR 0,0123 e GR 2,36); Saturno (translação de 29 anos e 6 meses terrestres, rotação de 10 horas e 15 minutos, MR 317,8 e GR0,0,916), foto.

Será ressonância mórfica? O "Daily Mail de Londres de hoje (09 de Dezembro de 2016) estampa claramente: - A Terra está 588 milhões de km de distância de Júpiter e a 1,3 bilhões de quilômetros de Saturno, mas estes pesos pesados do nosso sistema solar têm uma enorme influência sobre o que se passa no nosso planeta, e poderia ser para agradecer a existência da humanidade. As órbitas desses planetas estão mantendo o nosso mundo se movendo em um caminho circular a distância certa do Sol para a vida para florescer.

Movendo a órbita de Saturno apenas 10 por cento mais perto do sol cria um puxão que iria esticar a órbita da Terra por dezenas de milhões de quilômetros. Esta vista está olhando para o lado iluminado de sol dos anéis de Saturno cerca de 25 graus acima do plano do anel.

Isto é de acordo com Elke Pilat-Lohinger da Universidade de Viena, na Áustria, que desenvolveu modelos de computador para entender como Júpiter e Saturno afetaram a forma das órbitas dos outros planetas.

Usando um modelo simples que não incluía outros planetas internos, o professor Pilat-Lohinger descobriu que quanto maior a inclinação, maior o alongamento na órbita da Terra, de acordo com um relatório de Jeff Hecht no New Scientist.

A gravidade de Júpiter, que é 2,5 vezes mais forte do que a da Terra, é capaz de puxar outros planetas do sistema solar - inclusive o nosso. Quando Marte e Vênus foram adicionados ao modelo, as órbitas dos três planetas estabilizaram ligeiramente, mas a inclinação de Saturno ainda tinha uma grande influência na Terra.


Quando Marte e Vênus foram adicionados ao modelo, as órbitas dos três planetas estabilizaram ligeiramente, mas a inclinação de Saturno ainda tinha uma grande influência na Terra Quando Marte e Vênus foram adicionados ao modelo, as órbitas dos três planetas estabilizaram ligeiramente, mas a inclinação de Saturno ainda tinha uma grande influência na Terra.

O modelo descobriu que inclinação de 20 graus de Saturno traria a órbita da Terra mais perto do sol do que Vênus. Isso também faria com que Marte deixasse o sistema solar inteiramente. Em um estudo semelhante no início deste ano, a Universidade de Nova Gales do Sul e Royal Holloway University de Londres, dirigiu vários modelos de computador do nosso sistema solar.

Com cada iteração, os planetas no sistema solar permaneceram em seu lugar enquanto Júpiter se movia em diferentes orbitas, variando de circular a elíptica. Os cientistas também moveram toda a órbita de Júpiter para dentro e para fora para testar o que teria acontecido se o planeta tivesse se formado mais perto do sol, ou mais longe. Cada simulação foi tomada através de um período de tempo de um milhão de anos, registrando onde a Terra teria sido a cada 100 anos como resultado da posição de Júpiter.

"A suposição padrão é que isso é algo que é importante", disse Jonti Horner, astrônomo e astrobiólogo da Universidade de Southern Queensland. "Há muita flexibilidade onde Júpiter será, e você assumiria que você teria uma variação muito suave e muito suave na forma como a órbita da Terra se comporta ao longo do tempo".

Enquanto as localizações de Júpiter resultaram em pouca mudança na órbita e inclinação da Terra, o efeito sobre o clima da Terra permaneceu obscuro.

Não fosse a força da gravidade cósmica suficiente (leiam o livro Agriculture of Tomorrow de Lilly Kolisko, 1938) pensem na variação do Campo Eletromagnético do Sistema Solar pelas orbitas de seus planetas e sua influência sobre os seres vivos no Planeta Azul como disse Iuri Gagárin (Foto).


Ontem morreu John Herschel Glenn Jr. o segundo astronauta a orbitar a Terra.

O livro aborda, ainda, como transformar a energia contida em diversos seres vivos potencializando-a sobre os microrganismos do solo, o que hoje passa a ser a coqueluche dos “siderophores”. Contextualizá-lo no tempo espaço da sabedoria camponesa na segunda década do Século XX quando já estava em gestação o fenômeno nacional-socialista e projetá-lo nas vinculações com o vôo de Rudolf Hess (filho de mãe inglesa) à Escócia em 10 de maio de 1941 e suas implicações antroposóficas, quatro anos antes da rendição alemã se faz muito necessário.

Rudolf Steiner morreu em 1925, mas deixou para a humanidade: “Nunca, antes, houve tanta informação e menos conhecimento”. Imaginem isso sem escola ou político sem ética.

Talvez você não ache isso importante, mas hoje nos EUA há um banco (Openbiome Bank criado no MIT) para vender transplante de microbioma fecal ou dito de forma popular “que te fazem comer merda”.
__________________________

*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor

sábado, 19 de novembro de 2016

Histórias que só existem quando lembradas


A Vida. O Tempo. O Ambiente. A Morte. Instâncias de uma existência q n alcançamos enxergar e perceber na ansiedade q o ritmo urbano impõe, onde o vazio do excesso ofusca aquilo q é belo por sí. Em Histórias que só existem quando lembradas (2011) Júlia Murat transporta o espectador para um ambiente estabilizado no silêncio. A fotografia será o suporte q a diretora se vale para retratar, metalinguisticamente, as relações de pessoas integradas em um tempo próprio, onde o passado e o presente parecem se encontrar permanentemente. Rita (Lisa E. Fávaro), uma jovem fotografa, visitante a esse pequeno mundo, fica hospede de Madalena (Sônia Guedes), uma idosa padeira do povoado. A partir daí, a fotografa caça e revela olhares, dúvidas, luzes e sombras, q renovam os sentidos dessa estranha convivência. Um filme para mergulharmos em nós mesmos, despertando o quanto pode haver de novo no envelhecimento q nos cerca, na maioria das vezes, sem percebermos. .

sábado, 29 de outubro de 2016

Biodiversidade, saúde e conhecimento alimentar



O progressivo desaparecimento de várias frutas, legumes e verduras das prateleiras e feiras é fruto da redução da produção de diversas culturas, de Norte a Sul. Contribui nisso a desvalorização dos pequenos e produtores, em detrimento aos produtores de monoculturas, ou commodities, via créditos governamentais e apoio de corporações - e o consequente desconhecimento das novas gerações sobre nossa biodiversidade alimentar, em um círculo vicioso. Nesta semana, conversando sobre isso em meu trabalho, a propósito, lembrei que, em minha infância, era hábito das crianças - muito mais q em nossos dias - comer frutas subindo em árvores, um costume q combinava brincadeiras e interação com a natureza e com o alimento, em um nível bem diferente daquele que se dá nos grandes supermercados. Daí a importância da reportagem que acaba de ser veiculada no Jornal da Cultura, em que cita o trabalho da ONG Guardiões dos Sabores (http://guardioesdossabores.org/). Esta organização tem entre seus propósitos enfrentar esse déficit de conhecimento, que gera deficiências nutricionais e uma ignorância geral sobre a diversidde e a qualidade do que a natureza nos oferece, generosamente.

sábado, 22 de outubro de 2016

O Botão de Pérola, uma filme sobre vida, cultura e memória



Muito mais do que gerar a vida, a água é a base da existência, da história e da cultura das mais antigas civilizações do Planeta: os chamados Povos da Água, que se organizavam dentro dela, e através dela. No Chile, entre o legado desses primeiros nativos, que foram progressivamente exterminados pela cobiça de terras e de riquezas mineiras, e os trabalhadores contemporâneos daquele País, que protagonizaram a luta pela democracia no sul desse continente, há conexões profundas, mantidas na memória e na natureza. Em "O Botão de Pérola", o documentarista chileno Patrício Guzmán recupera e costura essas relações, com maestria e sensibilidade. O resultado é uma produção impressionante e encantadora.

Aquarius convida a enxergar o estranho com uma admiração, ao invés de pena




Fui ver Aquarius, como sempre, bem depois da estreia – porque a pressa não tem necessariamente a ver com arte, a não ser para o Mercado. Gostei do filme, ainda que deixe um gostinho de que faltou algo. 

Trata-se de uma história, sobretudo, de empoderamento feminino, como várias análises destacaram. E Sônia Braga interpreta Clara, a protagonista, com maestria, inclusive no aspecto da condição e relações de classe em que a personagem se insere.

Mas, bem mais que isso, o filme retrata questões que são pertinentes na vida e que o cinema costuma abordar pelos extremos, ou discretamente, nos bastidores do enredo real, ou como foco da trama. Em ambos casos, acredito, não dá a devida importância. Trata-se da vida após os 50, a intimidade de uma pessoa com uma debilidade física definitiva e, principalmente, a questão do caráter, ou mau-caráter, que pode se esconder nos bons modos.

Nesse ponto, especificamente, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho tem imprimido uma abordagem bem interessante e profunda no cinema brasileiro, que traz à tona um aspecto intrigante de nossa cultura, a tal “máscara ante ao social”, outrora, tratada no conceito de “Homem Cordial”, por Sérgio Buarque de Holanda.

Li, recentemente, um artigo no Geledés que observava um viés racista no filme, pela pouca ou ausente visibilidade negra, e associação desta quando ocorreu a delinquência ou algo assim. Não recuperei o texto, bem fundamentado, mas lembrei dele enquanto via o filme, e não vi dessa forma.
Primeiramente, é preciso situar que a história retrata uma família de classe A/B, branca, ambientada em um estado marcado por relações históricas de luta de classes. 

Aliás, classe é uma tema que é trazido à toda de forma bem enfática em Aquarius. De outro lado, não vi esse estigma sobre o negro, nas vezes em que surge uma pessoa dessa etnia – no caso, durante um pesadelo de Clara, em que reaparece uma empregada que teria roubado a família mexendo em suas joias.

Em outro momento, vale lembrar, um traficante, jovem, branco é também identificado no convívio da classe média. Além do mais, os representantes da construtora que perseguem Clara para vender seu apartamento, e que são retratados como mau-caráter no filme, também são brancos e classe alta. Assim, acho um exagero a crítica de um viés racista. Se fosse uma família negra, provavelmente a visibilidade predominante no filme seria de negros, e assim por diante.

O fato é que o filme traz muitos elementos presentes na vida social brasileira, que são digno de nota. O enredo é bem nutrido por uma trilha sonora que agrada várias gerações. Aliás, esse diálogo entre gerações é outro mérito louvável de Mendonça Filho soube explorar bem. Outro aspecto está na linguagem audiovisual, o silêncio e o suspense nos enquadramentos em detalhes são elementos desse modo de gravar que dá um toque singular à essa produção.

Por fim, tenho que notar que o final não bem o que se esperava da riqueza da história e da energia de seus personagens. Tudo parece se encaminhar para algo maior, e espectador parece ser surpreendido no clímax, com um final perturbador, mas que não suficiente responsivo ao tamanho das expectativas – um modo de contar adotado por muitos diretores europeus, é fato, mas nem por isso isento de crítica.


De qualquer modo, Aquarius vale a pena ser visto, pela história, pela relação com o Brasil presente e pela mensagem de vida e força que dá, para todos, mas em especial, para aqueles às vezes mais costuma se julgar preconceituosamente frágeis: as mulheres, as pessoas pela terceira idade, os que vivem sozinhos e os que não se enquadram aos padrões estéticos sexuais de beleza.

Pelo Malo



A infância é onde brotam os fios de nossas paixões e medos, abundantes em Junior (Samuel Lange Zambrano), um menino de nove anos, que sonha em alisar o cabelo para ficar mais parecido com sua imagem fantasiosa de um cantor de cabelos compridos. Em choque com a incompreensão de sua mãe Marta (Samantha Castillo), e o preconceito, ele vai cultivar seu sonho íntimo por um mundo por ele inventado. E dele se alimentar no choque com as carências que o circulam. Por trás de uma história intensa da vida em uma periferia de Caracas, Pelo Malo (Mariana Rondón, 2014, Arg/Ven/Ale/Per), apresenta o pano de fundo de uma América Latina fértil para os mitos, mas ainda dura para o despertar de seus maiores valores de cultura e de liberdade. Destaque para a intensa emotividade da atriz protagonista, S.C.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Viver é Fácil Com os Olhos Fechados




Dura é a vida carente de um sonho, seja possível ou não, mas o caminho por seu alcance pode ser mais engrandecedor que sua concretude. Esta é uma das mensagens de Viver é Fácil Com os Olhos Fechados (Esp, 2015). A determinação de um professor - Antonio (Javier Cámara) e as perturbações de dois adolescentes - Belén (Natalia de Molina) e Juanjo (Francesc Colomer) - perdidos entre suas dúvidas e suas famílias, q não os compreendem - é o ponto de partida para uma viagem emocionante ao encontro de John Lennon. O roteiro é ambientado nos anos 60, mas poderia ser em qualquer período que um coração pulse além do quadrado de uma rotina.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O NINHO DA SERPENTE


Os jornalecos que exploram o sangue e a alienação nas periferias brasileiras (em sintonia com os showrnalismos de rádio e TV) - ao invés de informar e revelar as reais relações existentes na violência - têm um papel de criação e reforço de uma subjetividade do medo, amplificando um viés fascista de segurança pública, orientado para a repressão e a morte; e claro, o RS, por sua tradição familiaresca e conservadora de poder no jornalismo, não poderia estar fora disso. E a cultura política que permitiu e protege o golpe que se efetivou se alimenta disso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PROVOCAÇÕES DO TIÃO - Ser campesino hoy en día es una acto subversivo

Por Renata Bessi y Santiago Navarro F



Era “el día Q´anil, el de la semilla, el momento de sembrar”, dijo Antonio Gonzales, indígena maya de Guatemala. Entonces era el primer día del II Encuentro Internacional Economía Campesina y Agroecología en América: Soberanía alimentaría, cambio climático y tecnologías agroecológicas, en Chapingo, estado de México. Era el tiempo de las voces del sur y para el sur.

 Estudiantes, campesinos de diversas organizaciones, académicos e investigadores locales y de países como Venezuela, India, Brasil y Guatemala llegaron a la Universidad Autónoma de Chapingo en busca de esa semilla, la del conocimiento, la semilla de las alternativas. Se olvidaron los perfiles de cada quien al meter las manos a la tierra, mientras el agrónomo brasileño Sebastiao Pinheiro les impartía un taller practico y, al mismo tiempo, hablaba de los daños colaterales posterior a la 2ª Guerra Mundial, donde dio inicio la Revolución Verde, el modelo que se ha basado en el monocultivo, la tecnificación y la aceleración de los ciclos naturales de la agricultura para obtener mayor producción en menos tiempo. “Desde la segunda guerra mundial, hasta el día de hoy, más de mil millones de vidas ha cobrado esta guerra, seguidos en el año 1930 con los insumos químicos utilizados en la agricultura y la matriz tecnológica impuesta para los pueblos”, señaló Pinheiro.


Veja o texto completo no Avispa.org  (http://avispa.org/2016/08/16/campesino-hoy-dia-una-acto-subversivo/)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sementes Florestais: Guia para germinação de 100 espécies nativas


Esta publicação, produzida pelo Instituto Refloresta (antigo Ecoar Florestal) e seus parceiros, oferece informações fundamentais sobre germinação, trazendo uma grande contribuição aos profissionais que atuam na área florestal – viveiristas, produtores de sementes, técnicos e estudantes. Acreditamos que será uma facilitadora da atividade de produção do setor, pelo rigor das informações contidas e pela simplicidade com que são transmitidas, sendo, desde já, fonte de inspiração para a produção de outros materiais do gênero. (...)

Baixe o arquivo aqui.

Reproduzido do Global Tree.

sábado, 30 de julho de 2016

Provocações do Tião: Glyphosate na lavoura, na água, na merenda e nos intenstinos - que M. é essa?! - grita o biopoder camponês

 Sebastião Pinheiro*

A colega Raniera solicitou informações sobre a água de Porto Alegre. Meu sarcasmo pampeano permite intitular essa resposta: Do “bigstick” de Eisenhower ao tapinha nas costas de Obama.

O livro “The Second Brain” (O Segundo Cérebro), do médico Michael Gershon, é “Best Seller”, e causa comoção ao denunciar a destruição pelos hábitos de vida impostos pelo “Complexo agro-industrial, alimentar, financeiro (agronegócios).

Quando o Brasil reatou relações diplomáticas com a China - suspensas dez anos antes, quando a missão diplomática daquele país foi presa, expropriada de seu dinheiro, condenada, e posteriormente, indultada e expulsa nos dias seguintes ao golpe militar (Foto1) - há 42 anos, em Brasília, o ditador Geisel recebeu a nova comitiva chinesa (Foto2) e, para luzir sua ação social naquele, então a palavra Social nem constava no nome e sigla do BNDE.  Teria dito aos comunistas asiáticos que toda criança na escola brasileira recebia uma merenda escolar.



O pobre tradutor chinês da missão ficou numa saia justa, pois não conseguia traduzir a intenção das palavras do ditador sobre o termo merenda. O tradutor brasileiro tentou explicar, mas a comitiva estrangeira não conseguia entender o porquê de se comer na escola de um turno. Depois de algum nervosismo e sorrisos amarelos dos locais, o chefe da delegação foi claro e objetivo: “Na China toda criança sai de sua casa o suficientemente alimentada para não necessitar comer na escola, pois isso prejudica o seu aprendizado”. 

A parte final da tradução para o português ficou incompleta, graças ao “desconfiometro” do tradutor nacional, e até mesmos os estrangeiros entenderam.

Primeiro a “cantina”, e depois a merenda escolar, desde então, continuam sendo um dos itens de maior corrupção na educação do país pelo interesse da indústria de alimentos. O INAN e PRONAN foram criados pela lei 5.829/72 e regulamentado pelo Decreto 72.034 de 31 de março de 1973, um dia antes do décimo aniversário do golpe militar, pelo carrasco Médici, mas as políticas do SAN começaram no Estado Novo no interesse da indústria futura (No Colégio Batista Brasileiro, em 1954, todos os alunos receberam creme dental e escova da Kolynos, que ensinou a escovar os dentes, e logo em seguida, a Nestlé distribuiu jogos e latinhas de Nescau).

Já passou mais de meio século de muita euforia e milhões de crianças continuam, tanto mal educadas, quanto famélicas, recebendo sua única alimentação na escola ou complementando-a com o “Bolsa Família”, que carece de qualidade.

O que preocupava o embaixador chinês agora é exponencial.

Itamar Franco pretendeu acabar com a mega corrupção, ao municipalizar a merenda escolar, através da Lei 8.913 de 1994. Contudo, o estado de SC deu um exemplo, ao exigir que a alimentação escolar fosse natural e orgânica, com a Lei 12.601 de 18 de Dezembro de 2001.

Antecipando-se, o governo federal editou a medida provisória N. 2178-36, centralizando os recursos para a aquisição da mesma, ludibriando a qualidade e natural.

Com a Lei 11.947/09, o governo federal tornou monopólio a compra por entidades alinhadas a ele, e fez muito alarde e propaganda. As quantidades compradas nunca atendem a necessidade nacional, enquanto os gastos em propaganda sobre a referida política pública gastou pelo menos dez vezes aquele valor em proselitismo vazio e eleitoreiro, mas não política pública consolidada.

O tempo passou. A China é uma potencia mundial com astronautas, e mantém o alicerce comunista, mas sua nomenclatura veste “Armani” e usa sapato “Louis Viutton”; os daqui também, mas as crianças continuam com a tradicional merenda que, na maioria das vezes, é sopa instantânea, sardinha em lata, macarrão, arroz e Tangs, Q-sucos de todas as cores e sabores.

Infelizmente, com essa alimentação não vamos ter os cinco Prêmio Nobel que a Argentina tem, nem os três do México, os dois do Chile ou o de Peru, Colômbia e Guatemala. Nem nossas crianças serão selecionadas para a produção de matéria fecal para o OPENBIOME BANK do M.I.T, o que poderia, no futuro, transformar-se num segmento de recebimento de divisas maior que o de remessa dos trabalhadores no exterior. Nem terão seu “segundo cérebro” funcionando melhor para ajudar o desnutrido primeiro, sobrecarregado com a merenda e o estudo simultâneo.

Sobre a água de Porto Alegre/RS, que está com cheiro hediondo, George Orwell foi lapidar: “In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act” (Em tempo de fraude universal, dizer a verdade é um ato revolucionário). 

Mas, ao assistir a entrevista da secretária de Estado do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável/RS e ver o diretor do Departamento de Água e Esgoto da Prefeitura tomar água, lembrei o saudoso Lutzenberger quando a apresentadora Tânia Carvalho em entrevista ao eng. químico Millo Raffin, ele rebateu as informações técnicas:

“O que o tecnocrata está dizendo é que em cada copo de água potável distribuída pode haver uma colherinha de merda dissolvida”. Era época do Prefeito (indicado pela Marinha) Socias Villela no regime autoritário.

O tempo passou, envelheci e triste acompanho as informações que o cheiro presente na água é devido à Actinomicetes, um singelo absurdo. Buckminster Fuller ensina: “You never change things by fighting the existing reality. You change something by building a new world that makes the existing model obsolete” (Você nunca muda as coisas lutando contra a realidade existente. Você muda algo através da construção de um novo mundo que faz com que o modelo existente fique obsoleto). 

Ignorar não só ciência e tecnologia, mas, invariavelmente, a cordura e bom senso é a formação do tecnocrata heteronômico.

A hidrologia no RS mostra que mais de 33% da água passa pela cidade de Porto Alegre carregando tudo que, desde os limites das bacias é nela suspenso ou dissolvido. O tratamento de potabilidade e higienização física e química, já não consegue manter a qualidade biológica e a água perde vida.

O impacto dos resíduos de Glyphosate, que aumentou significativamente nos últimos 18 anos, é um poderoso quelador de todos os minerais. Minerais fundamentais no metabolismo da microbiota na água para sua purificação e qualidade. 

Os trabalhos científicos de Antony Samsel & Stephanie Seneff , do MIT sobre os impactos sanitários sobre o sistema enzimático dos citocromos (CYP) causando a depleção de sulfatos (Fe, Mn, Co, Mo y não formação do DMSO precursor do MSM, etc.) com um amplo espectro de alteração nos metabolismo de protistas, plantas e animais. Algas produzem toxinas altissimamente perigosas em épocas especiais do ano em blow up e o Glifosato provoca isso.

Cidadãos em sociedades soberanas não necessitam de adjetivos junto aos nomes para esclarecer valores, pois entendem a significação e o significado semântico nas coisas, senso comum ou consciência coletiva. Sociedades dominadas ou alienadas adoram adjetivos embelezando substantivos por não ter memória cívica.

Há aproximadamente 30 anos, começamos a escutar os termos: “segurança alimentar”, “sementes crioulas” e “sustentabilidade” repetidos de forma impertinente nos movimentos sociais, mídia, órgãos de governo, e, principalmente nos documentos dos organismos multilaterais. Sempre que uma ordem está a ser implantada os neologismos surgem para educar e aculturar consumidores e gestores políticos heteronômicos.

A repetição à exaustão por pessoas humildes leva ao messianismo, o que é bem explorado pelo poder e mercado.

O termo “segurança alimentar”, oriundo do desenvolvimentismo da sociedade industrial, através da SAN no Estado Novo foi substituído pelo de “soberania alimentar” da OMC, manipulado e induzido no meio político subalterno e posto ao serviço da indústria de alimentos, beneficiada com a troca.

No mundo, a maior indústria é a de alimentos e sua pretensão é libertar-se totalmente e definitivamente da agricultura e da natureza para seu poder supremo sobre a energia alimentar, o que significa crescimento continuo. Sugestivo, um irônico yankee diz: - É por isso a segunda indústria é a de medicamentos.

 Diversos artigos em revistas científicas começam a propalar o novo vocábulo: “segundo cérebro”, neologismo para os intestinos, pois o seu funcionamento garante a qualidade do “primeiro”, o mais vital do corpo. 

A ciência comprova que o funcionamento dos intestinos influi sobremaneira nos sistemas imunológico, endócrino e nevrálgico, através do cérebro [The enteric nervous system consists of some 500 million neurons,[6] (including the various types of Dogiel cells),[1][7] one two-hundredth of the number of neurons in the brain, and 5 times as many as the one hundred million neurons in the spinal cord.[8] The enteric nervous system is embedded in the lining of the gastrointestinal system, beginning in the esophagus and extending down to the anus.] wikipedia

Há quatro epidemias mundiais (Foto3):



Nele se enquadram:

- A “Doença Renal Crônica”, provocada pelo herbicida conforme os trabalhos dos cientistas acima;
- A “Epidemia crescente de Diabetes” detonada (despertar de genes) pelo efeito gatilho do referido agrotóxico.
- O “Autismo”, provocado pelo uso do referido herbicida aplicado sobre as sementes transgênicas; É afirmado que 50% das crianças nascidas nos EUA em 2032 serão autistas.
- A outra é a “Disbiose Intestinal” ou Síndrome do Intestino Irritável com mais de um milhão de pacientes e que já matou somente nos EUA 50 mil pessoas, pois a indústria de alimentos é hegemônica às refeições. Os principais agentes da disbiose são o Clostridium difficile e as Salmonelas. Estes dois patogênicos oportunistas são facilmente controlados por saprófitos através de sideróforos, mecanismo que somente os saprófitos dispõem para solubilizar os sais de ferro no ambiente tornando o metal indisponível para os patogênicos.

Os sideróforos são destruídos pela ação quelante do Glyphosate e a microflora perde diversidade, cuja persistência na água é termoestável até 370ºC e biologicamente indestrutível por ser bactericida e fungicida destruindo os ciclos do Enxofre, Nitrogênio e Oxigênio do Efeito Estufa da mudança climática. Quanto mais diversa e abundante a Microbiota Fecal (nos intestinos) mais facilmente são controladas os referidos patogênicos.

Embasados nos estudos da velha medicina chinesa, os cientistas e médicos norte-americanos optaram por uma solução menos radical, ideológica e mais rentável a “sopa dourada”. Uma sopa de excrementos, recém expelidos e naturais, administrada ao paciente. Este tratamento escatológico recebeu o pomposo nome de Transplante de Microbiota Fecal.

Seu desenvolvimento como biotecnologia de ponta trouxe a projeção de um mercado superior ao trilhão de dólares. Pelo que no Massachusetts Institute of Technology (M.I.T) foi criado o OPENBIOME BANK para a compra de excrementos humanos já representa um segmento de bilhões de dólares. Hoje, o pagamento é de 40 dólares por dose de fezes, além de um bônus de 10 dólares para a doação continua por cinco dias seguidos. O transplantado paga pelo menos mil vezes este valor.

O interessante é que médicos e cientistas nos Estados Unidos e México garantem que a epidemia tem sua exacerbação a partir dos resíduos de herbicida Glyphosate® nos alimentos transgênicos e água permitido legalmente. A U.S. EPA já aumentou em 233% sua tolerância nos alimentos.

Ocorre que o principio ativo do Roundup® foi registrado como fungicida e bactericida em 2014 pela Monsanto, precavendo-se de responsabilidades perante as autoridades sanitárias e povo norte-americano.

Em microbiologia molecular há o neologismo Metagenômica, (do grego: além da genômica). No intestino há uma diversidade de 4 a 6 x 1030 ( lê-se dez elevado à potencia 30): De 4 a 6.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 indivíduos, dos quais as técnicas tradicionais de cultivo em laboratório e identificação alcançam na atualidade somente 1%. 

Contudo, a biologia molecular permite extrair seu DNA/RNA, mas não identificá-los em separado.

Trabalhar com esse universo desconhecido exige mudanças radicais. Desde Pasteur, na saúde e Liebig, na indústria de alimentos e agricultura, o dogma é esterilização total e absoluta como base da higiene. 

Na Metagenômica, há um universo desconhecido que necessita ser identificado e conhecido para entender como faz funcionar melhor o primeiro cérebro descortinando um mundo biológico, econômico, financeiro gigantesco que fará tudo existente até agora ser comparado à descoberta da luz e do fogo. Este segmento científico, tecnológico, sanitário, industrial vale muitos bilhões de dólares.

Para as indústrias de Alimentos e Medicamentos, o Openbiome Bank, acelerador do axioma de liberdade da natureza, que, enquanto não chega, fará o que tem muito dinheiro comer orgânicos (vitalizados) certificados. Quem tiver pouco dinheiro tomará a “sopa dourada”, idem, certificada, quem não tiver sofrera as conseqüências da eugenia biológica, parte do seu dogma capitalista.

Se, a indústria de alimentos chama a endosimbiose em nosso intestino de “segundo cérebro” por razões mercadológicas, mais propriedade há em afirmar que a Microbiota do Solo que alimenta aquela diversidade através da Simbiogênese de Kozo-Poliansky (1924, baseado em “Apoio Mútuo de Kropotkin”, 1890) é muito mais o "segundo coração da humanidade", através da regência ético-moral camponesa, que professa a saúde no solo (Bio~poder camponês).

Quando o camponês recebeu a fórmula do biofertilizante sabia que os micróbios eram a nova ferramenta tecnológica, sem se preocupar com sua ação ou identidade, necessidade implícita da indústria de alimentos e sistema financeiro. 

Quando, por resistência, Julius Hensel começou a usar os pós de rochas não era necessário defini-lo como um "transplante de células-tronco da rocha-mãe" para a restauração do sistema imunológico do solo contaminado y degradado pela agricultura moderna que provoca a epidemia de disbiose em humanos, que agora procura sustentabilidade e soberania alimentar para os ricos, através da segurança mercantil de seus neologismos.

Em agroecologia, com Bio~poder camponês, se “elimina as causas” protege o “segundo coração” e elimina as desigualdades, através da saúde no solo, mas somente as "Pedagogia da Autonomia" e Pedagogia da Indignação (Paulo Freire) nos fazem entender que somos pós de estrelas ou “espíritos em jornada humana”, como alertou Teilhard du Chardin.


Na Sociedade Industrial periférica, “comer merda” é vendido como ciência de ponta, mas desconhecem metagenômica, mesmo quando a estudam. (Foto4) Crianças comem alimentos naturais em Chiapas (México), onde se pratica e exerce o biopoder camponês.



__________________________
*Engenheiro agrônomo, ambientalista e escritor

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Chico César - Reis do Agronegócio (Estúdio Showlivre)


Vídeo da música "Reis do Agronegócio", apresentada ao vivo no Estúdio Showlivre, no dia 29 de abril de 2015.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Provocações do Tião: O problema é o Trumpismo, disse-me um leitor sem universidade


Sebastião Pinheiro*

O cientista Roberto da Mata, em entrevista à TV, afirmou que foi criança, em uma casa sem livros. Minha situação era pior, fiquei órfão muito cedo e forçado a “não chorar por não ter sapatos, pois haviam aqueles que não tinham o pé”. O primeiro nome do país independente foi “Império” do Brasil. Na casa onde morava ninguém era alfabetizado, pois escola era para a elite, logo, mesmo indo à escola, livro era supérfluo.

Aprendi a ler sozinho, antes dos 5 anos com outros primos que iam a escola. E, além do jornal O Dia, lia, emprestada pelo vizinho livreiro, as Seleções Reader’s Digest velhas que ele colecionava.

Ler e escrever é muito bom, mas lembro que tomei uma coça aos 11 anos por contestar meu tio, que rato velho não virava morcego, pois são espécies diferentes; Outro “tio” (as aspas, pois ele era casado com minha tia) me deu outra coça, pois ele disse “Orospoque”, para o helicóptero, e eu cai na asneira de corrigi-lo.

Hoje, a segurança que a leitura dá a TV retira, pois esconde a realidade ao não permitir a reflexão que ela traduz.

Meu assunto é a Convenção Republicana, seu início com os protestos generalizados, que me fez assistir os quatro dias, alternando CNN e FOX no show pirotécnico, algo difícil de digerir pelo pouco educativo, meus tios adorariam.

O bizarro eram as prédicas diárias de pastores religiosos que levavam os convencionais ao transe hipnótico. Discursos sem conteúdo ou qualidade, apenas fé partidária dos não contrafeitos a candidatura de Donald Trump. Foi uma avant premiére sobre a decadência do perigoso Império, que jamais ostentou este nome e para entender o melhor é ler Negri ou Lichtheim.

À frente da TV, recordei o canastrão Collor copiando os passos de Jânio Quadros, mas sob o “script” da Plim-Plim, como “caçador de marajás”, que teve até mesmo um Globo Repórter Especial para o prefeito nomeado de Maceió poder eleger-se governador. A leitura de permite reconhecer o coxo (rengo) sentado e o cego dormido.

Lembrei na época em que estávamos ultimando a constituição, quando o tresloucado desempregado Raimundo Nonato Alves da Conceição seqüestrou o avião da VASP no vôo 375, de 28 de setembro de 1988, e queria jogá-lo contra o Palácio do Planalto. Assassinou o co-piloto e baleou o engenheiro de vôo. Ele foi abatido por três tiros, mas morreu no hospital por “anemia falciforme”, uma anomalia genética sem nenhuma relação com os tiros dos “snypers”, conforme consta na Wikipédia, o laudo foi assinado pelo famoso legista Badan Palhares, que também atuou no assassinato e suicídio do PC Farias e namorada, contraditado por peritos de renome.

Sim, é da nossa índole o riso fácil, irresponsável, a pândega, galhofa ou troça herança da corte para o comportamento do povo.

Voltemos a Trump, os analistas yankees disseram, que o pior não é a eleição de Trump, mas o “trumpismo” como herança política na periferia do mundo. É isso que o Erdogan está fazendo? As corporações estimulam. Os analistas políticos yankees sabem que tudo lá já foi programado com antecedência de 50 anos no mínimo, bem diferente do que passa nas universidades periféricas caudatárias.

É razoável lembrar o “caçador de marajá” já governador de Alagoas, quando o Brasil conheceu uma tentativa de “11 de Setembro”, 23 anos antes e teria conhecido seu “Trump” também 27 anos antes, não fosse a intervenção do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha ter descoberto um erro na filiação do apresentador Silvio Santos ao PMB que fez a justiça eleitoral impedir sua postulação (foto).

Em três dias de propaganda partidária ele superava o Collor e seria o Berlusconi caboclo, mas foi indeferido.

Antes de a convenção republicana começar os golpes e atentados já somavam quase mil mortos e o dobro de severamente feridos em menos de dez dias. Durante ela o tiro policial ao afro americano foi respondido por veteranos com o tiro ao policial. Não sai nos jornais o altíssimo índice de suicídios de veteranos do Iraque, Afeganistão, mas garanto que preocupa a ação dos dois veteranos. Será que eles aprenderam algo na cultura do Oriente Médio que despertou neles a reação? Qual o risco disto se alastrar como em 1968... A impressa não pode publicar o que está fora da pauta ou do script. Eis a liberdade.

A convenção terminou com mais duas situações esdrúxulas antes do sangrento atentado em Kabul; Os tresloucados 9 assassinatos em Munique; E no Brasil houve dez prisões de terroristas”... Desinformado, eu pensei que era a galhofa típica contra a corte e já começava a listar: Zika, Chikungunya, Caxumba, Dengue, Delação premiada, Preço do Feijão, Preço do Leite, Fila no Aeroporto, Gabinete do Senador, Água de Porto Alegre. Mas a coletiva de imprensa do Ministro da Justiça me intranqüilizou.

Foi o taxista quem me trouxe a tranqüilidade de volta com seu forte acento carioca: “O Dr. lembra a Greve na Siderúrgica Nacional, houve 3 mortos. Mas foram eleitos mais de vinte prefeitos nas eleições municipais e pelo menos 3 governadores no ano seguinte...” Eu não entendi e ele continuou: Esses presos da “Hashtag”, já começam a carreira política e quiçá algum possa chegar ao píncaro e soltou uma risadinhas sarcástica similar à do pica-pau rei da Mata Atlântica.

Ainda atônito, ao pagar a corrida, atrevi a perguntar-lhe: O Sr. lê muito, não é? - Sim, foi a única coisa que herdei de minha mãe, que me obrigava a ler todo o dia e escrever 30 linhas sobre temas que ela criava.

Voltei para casa e entendi a convenção republicana: O que aconteceu na Bósnia e Kosovo não foi só um problema racial, nem intolerância religiosa. Tanto o Império, quanto as corporações não permitem existir uma fé (igreja) descentralizada; nem meios de comunicação ou escolas fora do script, por isso tanta língua de aluguel diz bobagem sobre escola e ideologia sem ler os 14 livros de Paulo Freire, um advogado desiludido, que se tornou o maior educador do Século.


Se Trump ganha ou não é de menos, mas Ted Cruz seguramente será o César seguinte ao próximo. O resto é outro carnaval, como dizia o vô Nono.
_________
*Enhenheiro agrônomo e florestal, ambientalista e escritor

domingo, 24 de julho de 2016

Eva e Lola, história de duas vidas roubadas

Uma cicatriz histórica se faz presente no cinema argentino, seja que gênero for. Os dramas gerados pelas restrições democráticas naquele País, durante uma das ditaduras mais sangrentas do continente, foram muito além da censura e deixaram marcas latentes em toda a população.

E o cinema, arte que reflete vivamente a vida social, não poderia deixar de expressar isso, em uma espécie de inconsciente coletivo.

Em “Eva e Lola” (2010), Sabrina Farji parte desse contexto para contar a história de duas amigas, colegas de trabalho em uma casa noturna. Ambas representam dois pólos de um mesmo drama coletivo: uma é filha de um militante morto nos porões da temida Escola Superior de Mecânica da Armada, a ESMA; e Lola, filha (seqüestrada) e assumida por um casal, cujo pai é um ex-torturador, que se encontra com a saúde debilitada.

Sobre a vida de ambas amigas está esse peso, que é, ao mesmo tempo, uma busca – de uma identidade – e uma fuga e um vazio que o passado deixou.

Administrar isso, em uma relação entre duas pessoas que tem tanto em comum, e ao mesmo tempo, sensibilidades diferentes em encarar sua realidade, é um desafio para a manutenção dessa amizade, e ao mesmo tempo que uma prova de fogo, sobre a possibilidade de superar uma dor para que a própria existência se torne menos amarga.


O clima natalino dá um toque mais profundo nesse conflito constante de acertos com as memórias e o tempo. No meio disso tudo, o amor romântico - na medida e no tempo que ele tem pra florescer.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Paulina - SOBRE VIOLÊNCIAS E REAÇÕES CONTROVERSAS


Estava há alguns dias pra comentar algo sobre esse filme. Nesses tempos de extremos, em que a violência contra a mulher ocupa a centralidade de diversas outras violências, é pertinente, sempre, tentar compreender. Se é fato que a espécie humana, dita racional ,tem liberado impulsos que assustam, não é menos verdade que as reações do Estado ao crime sexual - em suas variadas formas- andam, invariavelmente, distantes e alienadas de qualquer resposta propositiva à transformação desses comportamentos - em geral, ao contrário, facilitam a perpetuação de sua cultura, eepecialmente entre celas. Santiago Mitre, audaciosamente, em direção oposta ao senso comum, põe uma lupa sobre a questão, abordando essa temática por uma órbita surpreendente: um estupro no meio rural, em que a vítima (Dolores Fonzi) é uma estranha ao contexto e que se posiciona na contramão das expectativas. Paulina (Argentina, Brasil - 2015 - 103min) vale a pena ser conferido, não apenas por ser tão próximo de nós geográfica e psicologicamente, mas, sobretudo, porque contrasta com a pobreza de argumentação a respeito do que ainda nos resta para reagir aos comportamentos que municiam o discurso sobre a negação da viabilidade do equilíbrio de nossa raça, contra os caminhos do medo, da dor, do ódio, da clausura ou da morte.